Cotidiano
Após oito décadas sem registros oficiais no Brasil, pesquisadores localizam populações de espécie rara e solicitam classificação de perigo crÃtico de extinção
Para que ela consiga sobreviver adequadamente, essa plantinha deve estar em lagoas rasas e áreas de alagamento temporário / Francisco Souza/INMA
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Pesquisadores da Universidade Federal do Piauà e do Instituto Nacional da Mata Atlântica reencontraram uma nova espécie de Planta CarnÃvora, que faz parte do gênero Utricularia, conhecida como Utricularia warmingii, acende um alerta para a preservação da espécie, uma vez que não havia registros sobre ela há mais de 80 anos.
Segundo informações publicadas pela Super Interessante, ela foi encontrada em uma área alagada do interior do PiauÃ, a Lagoa do Bode, no MunicÃpio de Campo Maior, a 80 quilômetro da capital, Teresina.Â
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Em teoria, ela também ocorre em outras partes da América do Sul, como a BolÃvia, Colômbia e Venezuela, mas todos os registros são raros e esparsos.Â
Entretanto, ela já foi registrada em alguns lugares do Pantanal e do Sudeste, mas não é vista em São Paulo desde 1939, e, em Minas Gerais, desde 1877. Logo, muitos pesquisadores acreditaram que a Utricularia warmingii estivesse extinta nesses estados, assim como todo o Brasil.
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Para que ela consiga sobreviver adequadamente, essa plantinha deve estar em lagoas rasas e áreas de alagamento temporário. Entretanto, diversos fatores podem contribuir para sua extinção. Entre eles estão a expansão agropecuária, uso de agrotóxicos, a introdução de espécies invasoras e o uso do espaço por humanos.
Além dos citados, as mudanças climáticas, que provocam mudanças nos regimes de cheias e secas, além de outros desequilÃbrios ecológicos incalculáveis.
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Em um artigo publicado na revista cientÃfica Key Bulletin, os pesquisadores solicitaram que ela seja classificada como "em perigo de extinção". Mesmo que ela seja nativa de toda a América do Sul, os pesquisadores calculam que ela ocupe uma área de 36 km².
Logo, se um único grupo de Utricularia warmingii sumir, é improvável que exista uma recolonização natural, ou seja, outra população da mesma planta volte e ocupe o lugar.
Diferente da popular Vênus papa-moscas, que é comercializada constantemente, a Utricularia warmingii usa um sistema de sucção por vácuo em armadilhas minúsculas chamas de utrÃculos.
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Normalmente, suas bolsas são menores que um grão de arroz, ficam submersas e mantêm uma pressão interna negativa.
Quando uma presa, como uma larva de mosquito ou um pequeno crustáceo, encosta nos pelos sensÃveis da entrada, a "porta" se abre em milésimos de segundo. O vácuo suga a água e a presa, deixando-a presa para que a planta comece a digestão através de enzimas.Â
Todo este processo é tão rápido que o olho humano não consegue acompanhar sem o auxÃlio de câmeras de alta velocidade.
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