Cotidiano

Cientistas descobrem planeta com formato inédito que desafia teorias da astronomia

Descoberta inédita revela planeta deformado por forças extremas e com composição atmosférica sem precedentes

Ana Clara Durazzo

Publicado em 05/01/2026 às 08:30

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Dos cerca de 6 mil exoplanetas já catalogados, o PSR J2322-2650b é o único gigante gasoso conhecido a orbitar um pulsar / NASA, ESA, CSA, Ralf Crawford (STScI)

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Um mundo fora do Sistema Solar está desafiando tudo o que a ciência sabe sobre a formação de planetas. Pesquisadores identificaram o exoplaneta PSR J2322-2650b, um gigante gasoso com formato alongado, semelhante a um limão, e uma atmosfera dominada por hélio e carbono molecular — combinação considerada inédita pela astronomia moderna 

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A descoberta foi feita a partir de observações do Telescópio Espacial James Webb, da Nasa, e publicada no dia 16 de dezembro na revista científica The Astrophysical Journal Letters. O estudo envolveu cerca de 20 cientistas de instituições internacionais.

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Um planeta extremo em um sistema raríssimo

Com massa próxima à de Júpiter, o PSR J2322-2650b orbita um pulsar — uma estrela de nêutrons extremamente densa, que gira rapidamente e emite feixes intensos de radiação. Esse tipo de estrela é considerado um dos ambientes mais hostis do Universo.

A proximidade entre o planeta e o pulsar é tão grande que um 'ano' no exoplaneta dura apenas 7,8 horas. A distância entre os dois é de cerca de 1,6 milhão de quilômetros, valor muito inferior aos 160 milhões de quilômetros que separam a Terra do Sol. Essa interação gravitacional intensa é apontada como a principal causa do formato distorcido do planeta 

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Atmosfera 'bizarra' nunca vista antes

Se o formato já surpreende, a composição da atmosfera causou ainda mais espanto. Diferentemente da maioria dos exoplanetas conhecidos — que apresentam vapor d’água, metano ou dióxido de carbono —, o PSR J2322-2650b possui uma atmosfera rica em carbono molecular (C e C) e hélio.

'Foi uma surpresa total. Depois de coletarmos os dados, nossa reação coletiva foi: ‘O que diabos é isso?’”, afirmou Peter Gao, do Laboratório Carnegie de Ciências da Terra e dos Planetas, coautor do estudo 

Segundo os pesquisadores, esse tipo de carbono só consegue dominar a atmosfera se houver escassez extrema de oxigênio e nitrogênio, algo que desafia todos os modelos atuais de formação planetária.

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Temperaturas infernais e hipóteses ousadas

As condições no planeta são extremas: as temperaturas variam entre 650 °C no lado noturno e até 2.040 °C no lado diurno. Em cenários assim, o carbono normalmente reagiria com outros elementos, o que não ocorre neste caso.

Uma das hipóteses levantadas é que, sob pressões intensas no interior do planeta, o carbono possa se cristalizar, formando até diamantes — ideia ainda especulativa, mas que reforça o caráter exótico do objeto 

Um caso único no catálogo de exoplanetas

Dos cerca de 6 mil exoplanetas já catalogados, o PSR J2322-2650b é o único gigante gasoso conhecido a orbitar um pulsar. Apenas alguns poucos pulsares são conhecidos por hospedar planetas, o que torna o sistema ainda mais raro.

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A observação só foi possível porque o pulsar emite radiação principalmente fora do espectro infravermelho, permitindo que o James Webb registrasse o planeta sem o ofuscamento comum causado por estrelas tradicionais.

'É bom não saber tudo. É ótimo ter um enigma para desvendar', resumiu Roger Romani, pesquisador da Universidade Stanford e coautor do estudo 

Com tantos mistérios ainda sem resposta, o chamado 'planeta-limão' deve continuar no centro das atenções da astronomia, abrindo caminho para novas teorias sobre a diversidade e os limites dos mundos além do nosso Sistema Solar.

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