Cotidiano

Cientistas descobrem oásis de vida e 28 novas espécies no mar profundo da América do Sul

Uma expedição inédita encontra recife de coral do tamanho do Vaticano e água-viva gigante, além de lixo plástico, incluindo uma fita VHS

Giovanna Camiotto

Publicado em 09/02/2026 às 20:46

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Uma expedição científica liderada por pesquisadores argentinos a bordo do navio R/V Falkor / Reprodução/Instituto Oceanográfico Schmidt

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Uma expedição científica liderada por pesquisadores argentinos a bordo do navio R/V Falkor (too), do Instituto Oceanográfico Schmidt, revelou que o fundo do mar é muito mais biodiverso do que a ciência supunha. Explorando desde a costa de Buenos Aires até a Terra do Fogo, a equipe documentou 28 possíveis novas espécies, incluindo corais, anêmonas e o maior recife de coral Bathelia candida já registrado no oceano global.

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Com 0,4 quilômetros quadrados, uma área comparável à Cidade do Vaticano, o recife foi localizado 600 quilômetros mais ao sul do que se acreditava ser sua área de distribuição conhecida, a 43,5° de latitude.

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De acordo com a cientista-chefe da expedição, Dra. María Emilia Bravo, da Universidade de Buenos Aires e do CONICET, a surpresa com a riqueza encontrada foi absoluta.

Em declaração oficial ao Instituto Schmidt Ocean, ela afirmou: “Não esperávamos encontrar esse nível de biodiversidade no fundo do mar argentino e estamos muito animados em vê-lo repleto de vida. Abrimos uma janela para a biodiversidade do nosso país e descobrimos que ainda há muitas outras janelas a serem abertas”.

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Entre os achados mais raros está uma "carcaça de baleia" a 3.890 metros de profundidade, um fenômeno que cria ecossistemas temporários onde animais como polvos, tubarões e vermes comedores de ossos encontram sustento por décadas.

Cientistas mapearam na Argentina o maior recife de coral Bathelia candida do mundo. Com o tamanho da Cidade do Vaticano, esse ecossistema vital foi encontrado 600 km mais ao sul do que a ciência previa, desafiando registros anteriores/Instituto Oceanográfico Schmidt
Cientistas mapearam na Argentina o maior recife de coral Bathelia candida do mundo. Com o tamanho da Cidade do Vaticano, esse ecossistema vital foi encontrado 600 km mais ao sul do que a ciência previa, desafiando registros anteriores/Instituto Oceanográfico Schmidt
A rara água-viva fantasma foi filmada em águas argentinas. Sem tentáculos urticantes, ela usa braços de 10 metros, o tamanho de um ônibus, para caçar no breu total do oceano, onde a luz solar nunca chega/Instituto Oceanográfico Schmidt
A rara água-viva fantasma foi filmada em águas argentinas. Sem tentáculos urticantes, ela usa braços de 10 metros, o tamanho de um ônibus, para caçar no breu total do oceano, onde a luz solar nunca chega/Instituto Oceanográfico Schmidt
A expedição descobriu uma emanação fria gigante no fundo do mar. Nesse local, o metano serve de combustível para micróbios que alimentam comunidades inteiras de amêijoas e vermes, criando vida onde quase nada sobreviveria/Instituto Oceanográfico Schmidt
A expedição descobriu uma emanação fria gigante no fundo do mar. Nesse local, o metano serve de combustível para micróbios que alimentam comunidades inteiras de amêijoas e vermes, criando vida onde quase nada sobreviveria/Instituto Oceanográfico Schmidt
A 3.890 metros de profundidade, os pesquisadores acharam uma carcaça de baleia. O corpo do animal vira um ecossistema temporário, sustentando de tubarões a vermes comedores de ossos por décadas no deserto oceânico/Instituto Oceanográfico Schmidt
A 3.890 metros de profundidade, os pesquisadores acharam uma carcaça de baleia. O corpo do animal vira um ecossistema temporário, sustentando de tubarões a vermes comedores de ossos por décadas no deserto oceânico/Instituto Oceanográfico Schmidt
Mesmo em áreas inexploradas e cheias de novas espécies, o rastro humano apareceu. Redes de pesca e até uma fita VHS foram achadas no fundo do mar, provando a vulnerabilidade dos oceanos diante do lixo plástico/Instituto Oceanográfico Schmidt
Mesmo em áreas inexploradas e cheias de novas espécies, o rastro humano apareceu. Redes de pesca e até uma fita VHS foram achadas no fundo do mar, provando a vulnerabilidade dos oceanos diante do lixo plástico/Instituto Oceanográfico Schmidt

Os pesquisadores também filmaram a mística água-viva fantasma, uma criatura de águas profundas cujos quatro braços podem chegar a 10 metros de comprimento, o tamanho de um ônibus escolar. No entanto, o impacto humano alcançou até esses refúgios extremos.

A Dra. Melisa Fernández Severini, do Instituto Argentino de Oceanografia, ressaltou que “essas amostras representam uma oportunidade única para entender não apenas o quão extraordinários são esses ecossistemas extremos, mas também o quão vulneráveis eles podem ser”.

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A expedição registrou ainda a presença de redes de pesca e uma fita VHS com adesivos em coreano em condições quase perfeitas, evidenciando a durabilidade do plástico no oceano.

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