Compreender essa reação é fundamental para a medicina e a indústria / Myers, B. et al / Nature Communications
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Em um avanço histórico para a química e a física, uma equipe de pesquisadores conseguiu, pela primeira vez, capturar imagens de um átomo de oxigênio na água. A façanha foi possível por meio do registro da fluorescência emitida por átomos de oxigênio excitados antes que fossem neutralizados pelo líquido ao redor.
O estudo, que contou com especialistas da Universidade Estadual da Carolina do Norte, Princeton e Texas A&M, foi publicado recentemente na prestigiada revista Nature Communications.
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Apesar de ser um elemento vital, o oxigênio atômico ainda guardava mistérios sobre como interage em ambientes aquosos.
Compreender essa reação é fundamental para a medicina e a indústria, que utilizam as propriedades oxidantes desse elemento em diversas aplicações tecnológicas.
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Até então, o registro era considerado impossível, pois a água neutraliza os átomos excitados de forma quase instantânea, impedindo qualquer medição.
Os átomos individuais são forçados a absorver dois fótons simultaneamente / Myers, B. et al / Nature CommunicationsPara superar a barreira do tempo, os cientistas utilizaram um laser de fentosegundo (segundos).
Essa velocidade extrema permitiu excitar os átomos e registrar a luz emitida (fluorescência) antes que a água interrompesse o processo. A técnica aplicada é conhecida como TALIF (Fluorescência Induzida por Absorção de Dois Fótons).
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Os átomos individuais são forçados a absorver dois fótons simultaneamente, atingindo um estado excitado.
Ao retornarem ao estado normal, eles liberam o excesso de energia como luz.
Ao medir essa luz, os cientistas conseguem determinar a concentração exata do elemento.
Para garantir a precisão, os dados foram comparados com sinais de densidade de xenônio, que possui um comportamento de excitação muito similar ao do oxigênio.
Os resultados surpreenderam a comunidade acadêmica. De acordo com os autores do estudo, as medições mostram que os átomos de oxigênio persistem por dezenas de microssegundos na água, penetrando centenas de micrômetros no líquido.
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Embora pareçam medidas ínfimas para a escala humana, para a ciência atômica, essa distância e duração são significativamente maiores do que as previstas nos modelos teóricos atuais.
Essa longevidade sugere que os modelos existentes de reatividade e transporte do oxigênio atômico em líquidos precisam ser reavaliados.
Segundo o portal Phys.org, as simulações estimaram a presença de átomos próximo à superfície da água, um número que serve como base para futuras pesquisas sobre como otimizar o uso desse elemento em novos tratamentos médicos e processos industriais.
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