Cidade mais rica do interior de SP tem melhor tratamento de esgoto e água do país

O levantamento destacou o município paulista como referência nacional em abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto

Campinas é reconhecida por sua alta qualidade de vida, destacando-se em rankings nacionais e internacionais

Campinas é reconhecida por sua alta qualidade de vida, destacando-se em rankings nacionais e internacionais | Carlos Bassan/Wikipedia

Campinas (SP) conquistou o primeiro lugar no Ranking do Saneamento 2025, divulgado nesta terça-feira (14) pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados.

O levantamento, que avaliou os dados de 2023 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico (Sinisa), destacou o município paulista como referência nacional em abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto.

Campinas já havia sido eleita uma das mais organizadas do país, segundo ranking publicado pela Editora Perfil.

Além de Campinas, Limeira (SP) e Niterói (RJ) completam o topo da lista, que analisa os 100 municípios mais populosos do país. O ranking chega às vésperas da COP-30, conferência climática que ocorrerá em novembro no Pará, estado que, apesar da visibilidade internacional, tem três cidades entre os piores índices: Santarém (última colocada), Belém e Ananindeua.

De acordo com o Instituto Trata Brasil, a liderança de Campinas reflete anos de investimentos contínuos em infraestrutura de saneamento, gestão eficiente dos serviços e políticas públicas voltadas à universalização do acesso.

“É um exemplo de que planejamento e compromisso com o saneamento básico geram resultados concretos para a população”, afirma Luana Pretto, presidente executiva do instituto.

Destaques da cidade

Campinas é reconhecida por sua alta qualidade de vida, destacando-se em rankings nacionais e internacionais, especialmente no que diz respeito à saúde, educação, saneamento e infraestrutura.

A cidade, que é um importante polo tecnológico e econômico do interior de São Paulo, oferece um ambiente propício para moradia, com um bom equilíbrio entre tranquilidade e opções de lazer. 

Além disso, também oferece um bom padrão de vida, com infraestrutura moderna, opções de lazer e cultura, além de um mercado de trabalho diversificado. 

A região também é um dos principais polos industriais do país e ostenta o título de terceiro maior parque industrial do Brasil. 

A cidade abriga mais de 50 mil empresas, incluindo multinacionais de destaque, o que reforça sua relevância no cenário econômico nacional e internacional.

Entre essas empresas, 50 estão entre as 500 maiores do mundo, atraídas pela infraestrutura e potencial de negócios da região.

Indicadores mais precisos

O estudo também apontou uma leve queda nos indicadores médios nacionais em relação ao ano anterior — reflexo da atualização nos dados populacionais com base no Censo 2022.

Com o novo cálculo, as médias das cidades analisadas passaram de 94,92% para 93,91% em abastecimento de água, de 77,81% para 77,19% em coleta de esgoto, e de 65,55% para 65,11% em tratamento de esgoto.

Segundo os pesquisadores, os novos números não indicam retrocesso, mas sim uma medição mais precisa da realidade.

Desigualdade regional

Ainda assim, o ranking evidencia profundas desigualdades regionais. A região Norte concentra os piores índices de saneamento, com nove cidades da Amazônia Legal entre as 20 últimas colocadas.

Entre elas estão, além das paraenses, Manaus (AM), Porto Velho (RO), Rio Branco (AC), Macapá (AP), Várzea Grande (MT) e São Luís (MA). O Nordeste também aparece com sete cidades na parte inferior do levantamento, e o estado do Rio de Janeiro com outras quatro.

Enquanto isso, São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Goiás dominam as primeiras posições, demonstrando que o acesso ao saneamento de qualidade ainda é um privilégio de determinadas regiões.

O levantamento, realizado anualmente desde 2009, revela que 16,9% da população brasileira ainda não têm acesso à água potável, e 44,8% vivem sem coleta de esgoto.

A falta desses serviços essenciais impacta diretamente a saúde, a economia, o meio ambiente e o desenvolvimento social do país.