Cidade da Criança: documento nega municipalização

Escritura prova propriedade da área do imóvel e garante o objeto da entidade que é a assistência à criança

Um documento adquirido e apresentado ontem pela nova Diretoria da Associação Assistencial da Cidade da Criança, de Praia Grande, garante a propriedade da área do imóvel (600 mil metros quadrados, sendo 200 de área ocupada e 400 de preservada), o objeto da entidade (assistência à criança) e que a ela  não pode ser municipalizada (ser gerenciada pela Prefeitura).

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A informação é da vice-presidente Cláudia Lima que, acompanhada dos diretores de patrimônio, José Sérgio de Paula Filho e Priscila Imianovsky Arias, explicaram os planos para a ­entidade.

“Conforme a escritura de doação, de 27 de julho de 1960, a entidade não pode ser vendida, permutada, onerada sem arrendar o imóvel todo ou parcialmente. Caso a finalidade não seja cumprida ou abandonada, o imóvel volta aos doadores ou sucessores”, afirma Cláudia, ressaltando que de decretação de utilidade pública também não pode ser suspensa.

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As informações vão ao encontro das intenções da Prefeitura de Praia Grande de firmar uma parceria no sentido de transformar a Cidade da Criança, que fica no Jardim Solemar II, num dos maiores complexos culturais, educacionais, sociais e esportivas da Baixada ­Santista.

“Estamos aguardando que empresários e a Prefeitura firme uma parceria neste sentido, para que a entidade retome, com força total, a sua principal finalidade, que é a de formar crianças e jovens, como ocorreu comigo, ­afirma José Sérgio de Paula, que foi interno da ­instituição.

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A Diretoria de Patrimônio está fazendo um amplo levantamento da entidade, trabalho que faz parte de outras ações desenvolvidas pelos demais diretores numa grande auditoria interna.

“Cada pasta está fazendo um levantamento específico. Sabemos que temos muitos terrenos que foram doados à Associação e queremos saber onde eles estão localizados. Também estamos providenciando um projeto de revitalização, de modernização do estatuto e de sustento da entidade”, afirma Cláudia Lima.

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Gigante adormecido

Imagine um campo de futebol oficial com vestiários e arquibancadas; uma quadra esportiva; oito pavilhões com 200 metros quadrados cada; alojamentos; um conjunto de seis casas e oito pequenos apartamentos, uma usina elétrica, uma lagoa com superfície de quatro mil metros quadrados; uma igreja e uma sede de 400 metros quadrados, com um consultório dentário montado, entre outros imóveis. Tudo pronto para ser reestruturado e colocado à disposição da população.

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Década de 60

Vale a pena lembrar que a instituição foi fundada em 1960, com apoio de empresários e beneméritos da Baixada Santista. A Cidade da Criança, quando começou a funcionar, contava com maquinário industrial moderno, com o qual os jovens passavam por cursos profissionalizantes como mecânica, tipografia, marcenaria, fábrica de sapatos.

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Através do curso de panificação, por exemplo, a entidade chegou a fornecer 1.500 pães diariamente à Santa Casa de Santos. Nas últimas décadas, no entanto, com os vários altos e baixos da economia, a entidade passou a ter dificuldades para sobreviver.