Cotidiano
Consumo cresce até 60% no período, estoques giram mais rápido e bacalhau pode ter aumento de até 60% impulsionado pela alta demanda e pelo dólar
A chegada da Quaresma já impacta o bolso e o prato dos brasilienses. / Renan Lousada/DL
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A chegada da Quaresma já impacta o bolso e o prato dos brasilienses. Entre o Carnaval e a Semana Santa, cresce a procura por pescados no Distrito Federal, especialmente tilápia e bacalhau importado, movimento que pressiona os preços.
Segundo o IPEDF, 49,74% da população do DF se declara católica, o que ajuda a explicar o aumento da demanda no período em que muitos evitam carne vermelha por tradição religiosa. Com estoques girando mais rápido e custos elevados de ração, transporte e logística, o valor do pescado tende a subir nas próximas semanas.
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Nas peixarias, o reflexo já é visível. Na Feira do Guará, as vendas podem crescer até 60% durante a Quaresma e a Semana Santa, em comparação com o restante do ano.
De acordo com o gerente Leandro Braga, os produtos mais procurados incluem robalo, pescada amarela, salmão, tilápia e bacalhau importado, além de camarão, lula e polvo. A tilápia, produzida majoritariamente no DF, é a opção mais acessível. Já o bacalhau, vindo da Noruega e de Portugal, lidera entre os mais caros.
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A expectativa é de reajuste entre 10% e 15% até a Sexta-feira Santa. Para atender à demanda, a peixaria contratou 15 funcionários temporários e passou a abrir as portas às 4h.
O maior impacto deve ocorrer no bacalhau importado. Em supermercados do DF, o quilo pode custar o dobro da tilápia, e a previsão é de aumento de até 60% no período, segundo Givanildo de Aguiar, porta-voz da Associação de Supermercados de Brasília (Asbra).
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Além da procura elevada, o produto sofre influência direta da variação do dólar, o que encarece ainda mais as gôndolas.
Enquanto o preço preocupa consumidores, a produção local vive expansão. A tilápia representa mais de 90% do volume produzido no DF, seguida por tambaqui, pacu e pintado.
Segundo a Emater-DF, a produção saltou de 2.163 toneladas em 2024 para 2.637 toneladas em 2025, alta de 22%, acima de outras cadeias produtivas locais. Mesmo assim, o mercado ainda depende de estados vizinhos para suprir o pico de consumo, já que cerca de 40% das vendas anuais se concentram entre o Carnaval e a Semana Santa.
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As fotos foram tiradas no Box do Santista em Santos.