Cotidiano

Cidade brasileira criou lei para barrar casas 'feias' e virou fenômeno turístico

Em Santa Catarina, uma pequena cidade de colonização alemã virou exemplo nacional ao provar que o visual das casas não é apenas uma escolha individual, mas um patrimônio coletivo

Ana Clara Durazzo

Publicado em 29/01/2026 às 12:45

Atualizado em 29/01/2026 às 13:07

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Em Santa Catarina, uma pequena cidade de colonização alemã virou exemplo nacional ao provar que o visual das casas não é apenas uma escolha individual, mas um patrimônio coletivo / IPM Sistemas/Divulgação

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Em Santa Catarina, uma pequena cidade de colonização alemã virou exemplo nacional ao provar que o visual das casas não é apenas uma escolha individual, mas um patrimônio coletivo. Pomerode, conhecida como a cidade mais alemã do Brasil, aplica regras urbanísticas há décadas para manter um padrão que encanta turistas e valoriza a região.

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O segredo? O estilo enxaimel, telhados de barro e a ausência de muros altos.

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O 'Padrão Pomerode': Por que a cidade parece um cenário?

Diferente da maioria dos municípios brasileiros, onde cada construção segue o gosto do dono, Pomerode definiu normas para preservar a tradição germânica. A estética urbana é tratada como um motor econômico e cultural, focada em:

  • Autoestima local: Preservação das memórias da imigração.

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  • Valorização imobiliária: Paisagem harmônica que atrai investimentos.

  • Turismo sustentável: A cidade inteira funciona como um cartão-postal vivo.

O que define a arquitetura alemã da cidade?

O estilo não ficou preso ao passado; ele se modernizou. Hoje, até sistemas pré-fabricados utilizam a estética enxaimel. Os elementos principais são:

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  1. Escala Humana: Construções baixas que não sufocam a rua.

  2. Madeira Aparente: A técnica enxaimel (estruturas de madeira encaixadas).

  3. Integração Visual: Telhas cerâmicas em tons tradicionais e proporções equilibradas.

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Regras Urbanas: Do telhado à cor da parede

A prefeitura estabelece diretrizes rígidas, mas com propósito. Um dos pontos mais curiosos é o desestímulo a muros altos e portões fechados. O objetivo é claro: criar uma sensação de segurança e pertencimento através da transparência.

Curiosidade: Fachadas em 'formato de caixa' e prédios que bloqueiam a ventilação e a luz natural são restritos, evitando que a cidade perca sua identidade para a verticalização desenfreada.

Como a prefeitura incentiva os moradores?

Não se trata apenas de proibição. O modelo funciona através de um ecossistema de apoio:

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  • Isenção de Impostos: Redução de tributos para quem segue o estilo da lei.

  • Apoio Técnico: Consultoria gratuita para projetos e reformas.

  • Manutenção: Programas de auxílio para conservar madeiras e fachadas históricas.

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O Desafio: A beleza torna a cidade mais cara?

Nem tudo são flores. O sucesso do modelo traz o desafio da gentrificação. A combinação de segurança e beleza atrai moradores de alta renda, o que eleva o preço dos terrenos.

Para manter a cidade inclusiva, especialistas apontam que Pomerode precisa equilibrar o "sonho europeu" com:

  • Criação de áreas para habitação acessível.

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  • Linhas de crédito para famílias de baixa renda manterem suas casas tradicionais.

  • Uso da receita do turismo para fortalecer os serviços públicos.

Conclusão: Arquitetura como estratégia

Pomerode mostra que urbanismo é, acima de tudo, uma ferramenta política. Ao transformar o estilo arquitetônico em um bem comum, a cidade não apenas preserva a história, mas garante um futuro econômico sólido através da identidade.

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