Cotidiano
Em Santa Catarina, uma pequena cidade de colonização alemã virou exemplo nacional ao provar que o visual das casas não é apenas uma escolha individual, mas um patrimônio coletivo
Em Santa Catarina, uma pequena cidade de colonização alemã virou exemplo nacional ao provar que o visual das casas não é apenas uma escolha individual, mas um patrimônio coletivo / IPM Sistemas/Divulgação
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Em Santa Catarina, uma pequena cidade de colonização alemã virou exemplo nacional ao provar que o visual das casas não é apenas uma escolha individual, mas um patrimônio coletivo. Pomerode, conhecida como a cidade mais alemã do Brasil, aplica regras urbanísticas há décadas para manter um padrão que encanta turistas e valoriza a região.
O segredo? O estilo enxaimel, telhados de barro e a ausência de muros altos.
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Diferente da maioria dos municípios brasileiros, onde cada construção segue o gosto do dono, Pomerode definiu normas para preservar a tradição germânica. A estética urbana é tratada como um motor econômico e cultural, focada em:
Autoestima local: Preservação das memórias da imigração.
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Valorização imobiliária: Paisagem harmônica que atrai investimentos.
Turismo sustentável: A cidade inteira funciona como um cartão-postal vivo.
O estilo não ficou preso ao passado; ele se modernizou. Hoje, até sistemas pré-fabricados utilizam a estética enxaimel. Os elementos principais são:
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Escala Humana: Construções baixas que não sufocam a rua.
Madeira Aparente: A técnica enxaimel (estruturas de madeira encaixadas).
Integração Visual: Telhas cerâmicas em tons tradicionais e proporções equilibradas.
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A prefeitura estabelece diretrizes rígidas, mas com propósito. Um dos pontos mais curiosos é o desestímulo a muros altos e portões fechados. O objetivo é claro: criar uma sensação de segurança e pertencimento através da transparência.
Curiosidade: Fachadas em 'formato de caixa' e prédios que bloqueiam a ventilação e a luz natural são restritos, evitando que a cidade perca sua identidade para a verticalização desenfreada.
Não se trata apenas de proibição. O modelo funciona através de um ecossistema de apoio:
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Isenção de Impostos: Redução de tributos para quem segue o estilo da lei.
Apoio Técnico: Consultoria gratuita para projetos e reformas.
Manutenção: Programas de auxílio para conservar madeiras e fachadas históricas.
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Nem tudo são flores. O sucesso do modelo traz o desafio da gentrificação. A combinação de segurança e beleza atrai moradores de alta renda, o que eleva o preço dos terrenos.
Para manter a cidade inclusiva, especialistas apontam que Pomerode precisa equilibrar o "sonho europeu" com:
Criação de áreas para habitação acessível.
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Linhas de crédito para famílias de baixa renda manterem suas casas tradicionais.
Uso da receita do turismo para fortalecer os serviços públicos.
Pomerode mostra que urbanismo é, acima de tudo, uma ferramenta política. Ao transformar o estilo arquitetônico em um bem comum, a cidade não apenas preserva a história, mas garante um futuro econômico sólido através da identidade.
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