Cotidiano

Chove, chuva: por que as tempestades na Baixada não aliviam os reservatórios?

Mesmo com temporais e alertas da Defesa Civil, as represas paulistas não se recuperam sem chuva persistente e bem distribuída

Giovanna Camiotto

Publicado em 11/02/2026 às 18:01

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Alagamento registrado no bairro Parque São Vicente / Érica Alessandra/DL

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A Baixada Santista tem enfrentado semanas de fortes chuvas, com alertas da Defesa Civil para alagamentos, deslizamentos e rajadas de vento, como ocorreu em Mongaguá, Bertioga, Guarujá, São Vicente e Santos. As tempestades de verão têm provocado transtornos na região, mas o volume expressivo não é suficiente para garantir a recuperação dos reservatórios que abastecem o Estado.

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Acontece que a chuva forte nem sempre significa mais água "armazenada" em reservatórios. As ruas podem alagar, rios urbanos podem transbordar e, ainda assim, grandes represas permanecerem praticamente no mesmo nível.

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Isso ocorre porque não é a intensidade isolada da precipitação que determina a elevação dos reservatórios, mas sim a regularidade, a persistência e a abrangência das áreas atingidas.

A situação ainda piora ao longo do ano, quando os rios e represas passam por períodos úmidos e secos, que também transformam o cenário dos reservatórios de São Paulo.

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A fase úmida acontece quando chove com frequência por vários dias ou semanas, que o solo se mantém encharcado, a infiltração ocorre de forma eficiente e a água começa, gradualmente, a escoar para os cursos d’água e reservatórios.

Já no período seco, predominam longos intervalos sem chuva. Mesmo quando ocorrem temporais isolados, eles costumam ser irregulares e restritos a pequenas áreas, o que limita seu impacto no armazenamento hídrico.

Fenômenos climáticos

É importante citar que fenômenos climáticos também influenciam esse cenário, como o El Niño e a La Niña, que alteram a distribuição das chuvas no país, provocando irregularidade em algumas regiões e favorecendo corredores de umidade em outras.

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Além disso, a temperatura do oceano próximo à costa interfere na formação de frentes frias e sistemas de chuva, afetando diretamente o volume e a frequência das precipitações no Sudeste.

Níveis baixos nos reservatórios acendem alerta para o abastecimento em diversas regiões do estado /Pexels
Níveis baixos nos reservatórios acendem alerta para o abastecimento em diversas regiões do estado /Pexels
Chuvas irregulares e calor intenso dificultam a recuperação do volume armazenado /Pexels
Chuvas irregulares e calor intenso dificultam a recuperação do volume armazenado /Pexels
Mesmo com temporais isolados, falta de precipitação persistente impede alta consistente nos reservatórios /Pexels
Mesmo com temporais isolados, falta de precipitação persistente impede alta consistente nos reservatórios /Pexels
Evaporação elevada e consumo acima da média pressionam ainda mais o sistema hídrico /Pexels
Evaporação elevada e consumo acima da média pressionam ainda mais o sistema hídrico /Pexels
Recuperação dos reservatórios depende de semanas de chuva frequente e bem distribuída /Pexels
Recuperação dos reservatórios depende de semanas de chuva frequente e bem distribuída /Pexels

Outro fator decisivo é o estado do solo. Após longos períodos de calor e estiagem, a terra fica seca e, nas primeiras chuvas, grande parte da água é absorvida ou infiltra em camadas profundas, sem impacto imediato no nível das represas. Já na Baixada, o excesso de chuva provoca deslizamentos e graves transtornos.

Nas regiões de estiagem, só depois de vários dias consecutivos de chuva frequente o solo permanece suficientemente úmido para permitir que o excedente escoe e contribua de forma visível para o aumento dos reservatórios. Entretanto, o calor intenso eleva a evaporação e o consumo de água, o que dificulta ainda mais a recuperação dos níveis armazenados.

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Por isso, embora os temporais causem transtornos e mobilizem equipes de emergência na Baixada Santista, eles não necessariamente representam alívio hídrico.

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