CEV e audiência devem discutir ocupação da Cadeia Velha

O vereador Chico Nogueira (PT) e o deputado Luiz Teixeira (mesmo partido) compraram a luta dos artistas

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01 FEV 2017Por Carlos Ratton10h30
O vereador e artistas de Santos estiveram no Diário para ressaltar a luta para manter a Cadeia VelhaFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Como já havia sido adiantado pelo Diário do Litoral, a Câmara de Santos deverá, no início do ano legislativo de 2017, abrir uma Comissão Especial de Vereadores (CEV) para discutir a permanência das oficinas culturais na Cadeia Velha, localizada na Praça dos Andradas, no Centro de Santos.

Além da CEV, a destinação do prédio também será objeto de uma audiência pública estadual, em 5 de março próximo. À frente da CEV está o vereador Chico Nogueira (PT) e, da audiência, o deputado Luiz Fernando Teixeira, do mesmo partido.

Ontem, em visita à Redação com um grupo de artistas da cidade, Nogueira ressaltou a importância das iniciativas.

“Precisamos discutir a permanência das Oficinas Culturais Pagu no prédio nos âmbitos municipal e estadual. A Cadeia e as oficinas juntas se tornaram um ícone, uma referência para a cultura da Baixada Santista. Centenas de artistas das mais variadas áreas se formaram lá. Essa não é uma ação do meu mandato, mas de todos os vereadores que preservam cultura e também da população. A luta é suprapartidária e acredito que a CEV será aprovada”, afirma o parlamentar santista.

Reflexo

A ação de Chico Nogueira e dos artistas é um reflexo de uma reunião fechada e sem alarde, realizada semana passada, envolvendo dirigentes da Agência Metropolitana da Baixada Santista (Agem) e cinco secretários de cultura – Santos, São Vicente, Guarujá, Praia Grande e Cubatão – em que ficou definido que somente duas celas da Cadeia Velha serão destinadas às atividades e cursos dos artistas da região. O prédio será praticamente o novo escritório da Agem, causando indignação da classe artística.

“Essa luta não é nova. Acabar com as oficinas remete a 2007. Por resistência do movimento, conseguimos evitar até hoje. Estamos sendo afrontados, porque foram feitas audiências com agentes do Estado e demonstrado que o prédio é fundamental como centro de cultura. O Projeto Guri, que vai ocorrer na Cadeia junto com a administração da Agem, não pode ser retirado da Zona Noroeste, pois vai prejudicar as pessoas. Isso é um desrespeito com todos, artistas e alunos”, afirma a ex-secretária de Cultura de Santos, gestora cultural e atriz Naira Alonso, que lembrou que foram gastos R$ 10 milhões na reforma da Cadeia.

O ator e organizador do Curta Santos, Júnior Brassalotti, afirma que a decisão de colocar a Agem na Cadeia é antiga e apenas foi ratificada na reunião com os secretários.

“Eles (secretários) agem com descaso, não respeitam os artistas e a sociedade. A inatividade da Cadeia Velha está prejudicando a nova geração de artistas.

Estamos andando para trás”, disse, acompanhado do cantor e ator Danilo Nunes, que acredita, como outros artistas, que a intenção é desmontar todo um projeto cultural que há anos vinha sendo realizado no Estado. “A Cadeia era um espaço cultural democrático, de formação, de transformação, inclusive da Praça dos Andradas, que abriga o Teatro Guarani e a Vila do Teatro. É o núcleo mais artístico de Santos. A Praça deixou, por anos, de abrigar marginais para ser palco de artistas”, lembrou.

O diretor e ator Caio Martinez Pacheco fez questão de dizer que o Conselho Municipal de Cultura (Concult) aprovou, no último dia 16, um comunicado público repudiando o fechamento da Cadeia Velha como Centro Cultural de Artes Integradas e o desmonte da política pública de Cultura do Governo do Estado na Baixada Santista. “Isso demostra que os artistas e parcela da sociedade não está contente com o fechamento das oficinas”, conclui.