Cerol: quem fiscaliza?

Incidente com motociclista, que morreu por causa do corte com uma linha com cerol em Santos, indigna população

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22 JAN 201410h42

A morte do motociclista João Alexandre Filho, de 32 anos, causada por uma linha com cerol, na tarde da última segunda-feira em Santos, levantou a questão nas redes sociais: é proibido, mas quem fiscaliza? Dezenas de internautas comentavam o incidente no Facebook e questionavam como é realizada a fiscalização no Município.

O uso ou venda de cerol é proibido, conforme previsto nas leis municipais 1.649/97 e 1.948/01. E a responsabilidade de fiscalização e apreensão do material cortante é da Guarda Municipal de Santos.

Em entrevista para o Diário do Litoral, o comandante da Guarda, Flávio Brito, explica como funcionam as ações contra o uso do cerol. “Nós efetuamos essa fiscalização de duas formas: primeiro pelo patrulhamento preventivo, através das viaturas, bicicletas e motos. A segunda forma é através do 153, o telefone da Guarda Municipal, que qualquer pessoa pode ligar, solicitando a presença da Guarda”.

No entanto, segundo Brito, o patrulhamento não ocorre especificamente para o trabalho de flagrante do uso da linha cortante e também não há efetivo exclusivo para esse tipo de abordagem. “Entre todas as outras atribuições da Guarda Municipal, também é realizado o trabalho de fiscalização do cerol. Mas não há equipe específica para isso”.

 Motociclista, que passava pela Av. Afonso Pena, tem pé cortado por cerol e passa por operação (Foto: Luiz Torres/DL)

Hoje, Brito classifica o efetivo da Guarda Municipal de Santos necessário, mas não o suficiente para todas as ações direcionadas ao órgão. O efetivo é composto por 334 agentes. “Está em processo de licitação e em breve a Prefeitura (de Santos) deve contratar mais 150”, ressalta.

Só neste primeiro mês de 2014, a Guarda já fez duas apreensões de linhas com cerol em Santos. Durante todo o ano de 2013, foram 10 no total.
O comandante salienta a importância dos pais ficarem atentos à brincadeira dos filhos: “Os pais têm responsabilidade de verificar se seus filhos não estão se utilizando de cerol. A própria criança pode ser vítima desse material”.

Aos motociclistas, diante do incidente ocorrido na última segunda-feira, Brito orienta o uso de varetas presas à carroceria das motos, que faz com que as linhas sejam afastadas do motorista.

Em casos de flagrantes e identificação o autor do uso de cerol, ocorre o encaminhamento para a delegacia, para autuação ou abertura de inquérito. Ainda segundo o comandante, a multa para quem desrespeitar a legislação é de um salário mínimo, “que normalmente é aplicada quando tem uma vítima solicitante”, diz.

Morte

Por volta das 12 horas da última segunda-feira, João Alexandre Filho trafegava em sua moto pela Avenida Martins Fontes, em Santos, quando foi surpreendido por uma linha de pipa com cerol. O motociclista não conseguiu desviar e a linha acabou atingindo seu pescoço.

O resgate do Corpo de Bombeiros foi acionado, mas o homem não resistiu e morreu no local do incidente.

Homem tem sapato e tendões cortados por cerol

Dois dias antes da morte do motociclista João Alexandre Filho, o cerol fez outra vítima em Santos, que, por sorte, não foi fatal.

Também trafegando em uma motocicleta, Everson Miguel passava pela Avenida Afonso Pena, no trecho próximo à Praça Palmares, quando sentiu uma linha encostar em sua perna esquerda e escorregar até o tornozelo. Com cerol, o fio cortou o sapato e o pé de Everson.

Em seu depoimento para o Diário do Litoral, Everson conta que sentiu uma dor muito forte no momento, olhou para o pé e viu muito sangue. Imediatamente, ele encostou a moto e se jogou no chão pedindo ajuda.

Levado ao Pronto-Socorro da Santa Casa, ele foi encaminhado direto para uma cirurgia. “A linha com cerol cortou os tendões dos dedos do meu pé”, conta.
Com a perna imobilizada, Everson está afastado de suas atividades por 90 dias.