'Cerca de 90% da PM está no consignado'

O autor da frase é Sérgio Santana (PR), Policial reformado, diretor regional da Associação de Cabos e Soldados do Estado de São Paulo e vereador em Santos

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02 ABR 2018Por Carlos Ratton09h00
Sérgio Santana (PR) é policial reformado, diretor regional da Associação de Cabos e Soldados do Estado de São Paulo e vereador em SantosFoto: Paolo Perillo/DL

Policial reformado, diretor regional da Associação de Cabos e Soldados do Estado de São Paulo e vereador em Santos, Sérgio Santana (PR) é autor da frase ao lado, que espelha a grita geral dos policiais militares em relação aos baixos salários da categoria. Pré-candidato a deputado federal, ele concedeu entrevista ao Diário. Confira os principais trechos:

Diário – Se virar candidato de fato, seu segmento será somente o policial?
Sérgio Santana –
Também. Nosso trabalho não será diferente do que realizo na Câmara Municipal, só que em maior escala. Não vou medir esforços em projetos voltados à segurança pública, mas também relacionados à vida dos policiais e dos cidadãos em geral.       

Diário – O salário do policial militar do Estado de São Paulo é o 25º menor do País. Só é maior do que o do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Como fica a situação?
Santana –
É uma questão séria e governamental. Temos a melhor polícia do País, mas também a mais desvalorizada. Uma remuneração muito ruim. Geraldo Alckmin vai ­deixar o governo para disputar a ­presidência e deixou para seu sucessor (Márcio ­França) o pagamento de uma ação judicial, vencida pela Associação, sobre o recálculo do quinquênio e sexta parte. Ele (Alckmin) até já declarou que vai ter que pagar, mas não ­seria ele. 

Diário – As ações contra o governo tucano, em São Paulo, não andam?
Santana –
Não. Ele (governo) trava ações em todas as instâncias. Nesse caso que mencionei, foram vários recursos que duraram meses. Agora, vai cair no pagamento uma diferença salarial de R$ 280,00 sobre essa ação, que é maior que os 4% de reajuste concedido nos último quatro anos. 

Diário – O policial pode perder o estímulo?
Santana –
Não. Quando ele veste a farda e vai para a rua, cumpre seu papel com dignidade. Temos um déficit de 12 mil policiais. Nem o policial e nem os seus familiares e amigos deverão votar em Geraldo Alckmin, pode ter certeza disso. E ele já declarou que não depende do funcionalismo para ser presidente.  

Diário – Cerca de 81 mil policiais no Estado fazem bicos. É uma situação perigosa?
Santana -
Por conta de proporcionar melhores condições familiares, inclusive de moradia. Alguns moram de aluguel cujo dono é um contraventor sem saber. Cerca de 70% dos ativos e inativos pagam aluguel e 90% da PM está no consignado, inclusive coronéis e comandantes. Imagina a situação do soldado. Consignado é uma bomba.        

Diário – Está para serem votados os projetos de lei que estabelece adicional de periculosidade e insalubridade ao policial. Está na hora de ­corrigir isso?
Santana –
Sem dúvidas. 

Diário - Você é a favor da desmilitarização da Polícia?
Santana –
Não, porque vamos perder a disciplina. 
Diário – A Baixada Santista é a região que mais morre policiais proporcionalmente do Estado, segundo o deputado federal Major Olímpio. Você confirma essa afirmação?
Santana – É um refúgio de bandidos. Então, o confronto é maior e o número de vítimas (policiais) também.

Diário – Você é a favor da ampliação de cursos de direitos humanos na PM?
Santana –
Lógico. O efetivo da polícia até diminuiu também por conta de um maior período de formação. Até 88, eram seis meses de formação. Hoje, o mínimo é um ano. Mas acho que deveria haver ainda um reforço. 

Diário – Você é autor de um projeto na Câmara que visa tirar policiais de estádios de futebol.
Santana –
Jogo de futebol é um evento particular. A função da PM é a manutenção da ordem pública. Clubes e empresas privadas, no caso de shows, por exemplo, teriam que contratar segurança privada. O policial só deveria cuidar da segurança externa, na rua. 

Diário – Você é a favor da intervenção do Rio?
Santana –
Na condição que a cidade está, sim. Os policiais do Rio estão desacreditados, têm salários menores ainda do que os nossos. As corregedorias brasileiras são as que mais demitem e prendem policiais. Temos que renovar boa parte do Congresso e ter um Ministério de Segurança que funcione. Ao final, o Rio vai acabar servindo de exemplo.

Diário – Como avalia o assassinato da vereadora Marielle Franco?
Santana –
Como um caso mais político. Ela estava incomodando alguém e um grupo de policiais. Infelizmente, esse é o Brasil. 

Diário – Quais serão suas propostas caso sua candidatura se oficialize?
Santana –
Lutar por maior discussão sobe a Reforma da Previdência, pois vai afetar muito a categoria. Um policial com 65 anos não terá como agir com um de 40 ou 50 anos. Temos 21 policiais militares no Congresso e quero somar. Quero ratificar a possível retirada do foro privilegiado dos políticos. Isso precisa mudar.

Diário – Dá para destravar projetos da Baixada?
Santana –
Vou tentar ajudar. Está faltando empenho de nossos representantes tanto na Assembleia, quanto no Congresso Nacional. A Baixada Santista precisa ser melhor representada. 

Diário – Qual seu candidato à Presidência da República?
Santana –
Jair Bolsonaro. Não posso negar.