Cotidiano
Ocorrência rara na Praia de Paúba, em São Sebastião, resultou no nascimento de dezenas de tartarugas-cabeçudas e reforçou alerta para preservação
Além dos exemplares vivos, também foram encontrados 15 filhotes mortos e 20 ovos que não eclodiram / Divulgação/PMSS
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Uma nova ocorrência de nascimento de tartarugas marinhas foi registrada na Praia de Paúba, na Costa Sul de São Sebastião, com a descoberta de um ninho contendo 88 filhotes vivos de tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta).
O monitoramento aconteceu na noite da última quinta-feira (19) e contou com a atuação do Instituto Argonauta e apoio da Prefeitura, por meio da Secretaria de Meio Ambiente.
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Durante a ação, duas tartarugas nasceram no momento em que as equipes acompanhavam o local. Após a confirmação da presença dos filhotes, a área foi isolada para garantir a segurança dos animais, que seguiram naturalmente em direção ao mar.
Além dos exemplares vivos, também foram encontrados 15 filhotes mortos e 20 ovos que não eclodiram. O material foi encaminhado ao Instituto Argonauta para avaliação e cuidados especializados, dentro do trabalho de monitoramento e preservação da fauna marinha regional.
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Um dia antes, na quarta-feira (18), já havia sido identificado o nascimento de quatro tartarugas da mesma espécie. O pescador e ambulante Sebastião Benedito Vargas Santos, conhecido como Ditinho, e sua esposa, Aparecida de Oliveira, foram os primeiros a perceber a presença de um filhote na faixa de areia e acionaram as equipes ambientais.
A Fundação Projeto Tamar e o Instituto Argonauta iniciaram buscas para localizar o ninho, que acabou sendo identificado apenas no período noturno. A tartaruga responsável pela postura não foi encontrada — comportamento considerado natural, já que as fêmeas depositam os ovos e deixam o local.
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O período médio de incubação dos ovos de tartarugas marinhas é de cerca de 60 dias, podendo variar conforme temperatura e condições ambientais.
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De acordo com a médica-veterinária Mariana Zillio, do Instituto Argonauta, o Litoral Norte paulista não é considerado área prioritária de nidificação da espécie, o que torna o registro ainda mais relevante para pesquisadores e equipes de conservação.
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Segundo ela, eventos esporádicos como esse reforçam a necessidade de monitoramento contínuo e ações de proteção para garantir o sucesso reprodutivo das tartarugas marinhas.
Especialistas alertam que, ao encontrar filhotes ou indícios de ninho, a população deve evitar qualquer tipo de contato ou tentativa de conduzir os animais até o mar. A manipulação inadequada pode causar estresse e comprometer a sobrevivência dos filhotes.
A recomendação é manter distância e acionar imediatamente as equipes ambientais responsáveis, permitindo que o acompanhamento técnico seja feito de forma segura.
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