Cotidiano
Pesquisadores identificaram o maior coral do gênero Porites já registrado, uma estrutura tão grandiosa que foi descrita como uma verdadeira 'catedral do mar'
Cientistas estimam que o coral tenha cerca de 2.050 anos, podendo ter começado a se formar antes de eventos históricos importantes da humanidade / NOAA Fisheries / Divulgação
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Uma descoberta impressionante no fundo do oceano está chamando a atenção da comunidade científica mundial. Pesquisadores identificaram o maior coral do gênero Porites já registrado, uma estrutura tão grandiosa que foi descrita como uma verdadeira 'catedral do mar'.
Localizado nas Ilhas Maug, no arquipélago das Marianas, no Pacífico Ocidental, o megacoral possui cerca de 1.347 metros quadrados de área, dimensões que surpreenderam até mesmo especialistas experientes.
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A estrutura apresenta proporções gigantescas, com cerca de 31 metros no topo e aproximadamente 62 metros na base, o que equivale ao comprimento de vários ônibus alinhados.
Segundo o cientista Thomas Oliver, da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o tamanho da estrutura dificultou até mesmo sua medição. “Era tão grande que não conseguimos medi-lo facilmente”, afirmou o pesquisador. Apesar de já ser conhecido por comunidades locais, o coral só agora foi analisado com precisão durante expedições recentes.
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Além do tamanho, a idade também impressiona. Cientistas estimam que o coral tenha cerca de 2.050 anos, podendo ter começado a se formar antes de eventos históricos importantes da humanidade. A estimativa é baseada na taxa de crescimento da espécie Porites rus, que se expande cerca de um centímetro por ano.
Como esse tipo de coral não possui anéis de crescimento visíveis, a idade exata ainda não pode ser confirmada, mas tudo indica que se trata de uma das estruturas vivas mais antigas do planeta.
O local onde o coral está também intriga os cientistas. Ele se encontra dentro de uma caldeira vulcânica submersa, considerada um verdadeiro 'laboratório natural'. Isso porque a região possui emissões de dióxido de carbono (CO), que aumentam a acidez da água do mar e permitem estudar como os corais reagem às mudanças climáticas.
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O mais impressionante é o contraste observado no ambiente: enquanto áreas próximas às emissões apresentam zonas praticamente sem vida, o megacoral permanece saudável e resistente. Esse cenário ajuda pesquisadores a entender como a vida marinha pode se adaptar a condições extremas.
A descoberta ocorre em um momento crítico para os oceanos, já que recifes de coral ao redor do mundo enfrentam ameaças como o aquecimento global, a poluição e o branqueamento. Mesmo assim, esse “gigante escondido” mostra que ainda existem ecossistemas resilientes.
Além da importância científica, os recifes de coral desempenham papel fundamental para o planeta, contribuindo para a proteção das costas contra erosão, a manutenção da biodiversidade marinha e a geração de alimento e renda para milhões de pessoas.
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O arquipélago das Marianas, onde o coral foi encontrado, é uma região de origem vulcânica e abriga também a famosa Fossa das Marianas, o ponto mais profundo da Terra. Para os cientistas, o local continua sendo uma das áreas mais fascinantes e misteriosas do planeta. Como resumiram os pesquisadores, “Maug é realmente um lugar muito especial”.