Casos de dengue no Rio chegam ao menor número em cinco anos

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, de janeiro até o dia de hoje (15), ocorreram 965 casos de dengue na capital fluminense

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15 ABR 201516h59

Enquanto o número de casos de dengue no país este ano, até o dia 28 de março, aumentou 240,1% em relação ao mesmo período do ano passado, conforme balanço divulgado nessa segunda-feira (13) pelo Ministério da Saúde, a cidade do Rio de Janeiro contabilizou no primeiro trimestre deste ano o menor número de registros da doença dos últimos cinco anos para o período.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, de janeiro até o dia de hoje (15), ocorreram 965 casos de dengue na capital fluminense. No primeiro trimestre do ano passado, foram 1.051. Em 2013, 33.732; em 2012, 43.717; e 23.246 no primeiro trimestre de 2011. A secretaria enfatizou que, ao contrário do que ocorre em São Paulo e em municípios do interior fluminense, não há surto ou epidemia de dengue na cidade do Rio.

Nos três primeiros meses deste ano, os agentes de vigilância ambiental em saúde, responsáveis pelo trabalho de busca e eliminação de focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus da doença, fizeram mais de 1.870 visitas de inspeção a imóveis em toda a cidade e eliminaram 183.872 depósitos que pudessem servir como potenciais criadouros. Mais de 631,3 mil locais foram tratados para evitar a proliferação do mosquito.

Apesar da queda no número de casos, pessoas que contraíram a doença reclamaram da falta de preparo em alguns postos de Saúde e Unidades de Pronto-Atendimento (UPA). Há dois dias com sintomas da dengue, a segurança Rosângela Pereira Silva, de 39 anos, saiu do trabalho e foi para uma UPA no centro do Rio. Após uma hora de espera sem previsão de ser atendida, ela decidiu ir para outra unidade. “Está muito cheio, vou para UPA de Botafogo [zona sul] tem gente que está aqui há três horas e ainda não foi atendido. E estou com dor de cabeça, muita dor no corpo, febre e vômito”, disse.

Os casos de dengue no Rio chegaram ao menor número em cinco anos (Foto: Agência Brasil)

A dona de casa, Sônia da Silva, de 60 anos, também reclamou da demora no atendimento no Posto de Saúde da Tijuca, bairro da zona norte, onde foi diagnosticada com a doença. “Foram horas de espera e ninguém apareceu sequer para me oferecer hidratação enquanto esperava”.

Em todo o estado do Rio foram registrados cerca de 14.500 casos de dengue de janeiro a segunda semana de abril, e confirmadas cinco mortes, uma a mais que no ano passado. Resende é o município com a maior incidência da doença, 5.025 mil casos por 100 mil habitantes, com quatro mortes. No ano passado, os registros chegaram a 3.678 e quatro óbitos.

Além de campanhas de prevenção, a secretaria estadual informou que capacitou médicos e enfermeiros de hospitais estaduais, federais e particulares e de unidades de Pronto-Atendimento de todo o estado, para padronizar o atendimento a pacientes com a doença. Também foram treinados profissionais de saúde das Forças Armadas, Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar.

Também foi implantado o prontuário eletrônico para auxiliar os profissionais de saúde no atendimento a pessoas com dengue. Após inseridos os dados do paciente no sistema, o programa avalia os sintomas e indica qual o melhor tratamento a ser seguido e a aponta a necessidade de internação.