Cotidiano

Caso Epstein: Entenda por que o nome de ex-modelo brasileira aparece nos arquivos divulgados

Arquivos da Justiça americana expõem conversas de 2012 entre Jeffrey Epstein e o agente Jean-Luc Brunel sobre personalidades brasileiras.

Nathalia Alves

Publicado em 04/02/2026 às 12:20

Compartilhe:

Compartilhe no WhatsApp Compartilhe no Facebook Compartilhe no Twitter Compartilhe por E-mail

Menção em e-mail de 2012 refere-se ao antigo casamento da modelo com Eike Batista e não indica envolvimento em atividades criminosas / Reprodução/Redes Sociais

Continua depois da publicidade

A ex-modelo brasileira Luma de Oliveira foi citada em uma troca de e-mails entre o financista condenado Jeffrey Epstein e o agente de modelos Jean-Luc Brunel, em agosto de 2012. A correspondência integra os milhares de documentos do caso Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

No diálogo, Epstein pergunta sobre “a namorada de Eike Batista”. Brunel responde. “Citei a Luma de Oliveira, ele era ou é casado com ela.” Na época da troca de mensagens, a ex-modelo e o empresário já estavam separados havia oito anos – o casamento durou de 1991 a 2004.

Continua depois da publicidade

Leia Também

• Governo desmente ligação de Epstein a Lula

• Emails de Epstein citam suposta ligação com Lula na prisão e elogios a Bolsonaro

• Epstein escreveu e-mail que cita Trump e confirma que ele sabia do esquema de abuso

A menção não indica qualquer envolvimento de Luma com as atividades criminosas de Epstein. Várias personalidades públicas, inclusive os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, também aparecem nominalmente nos arquivos. O Palácio do Planalto já negou que tenha havido contato telefônico entre Lula e o magnata.

Quem é Luma de Oliveira 

Entre as décadas de 1980 e 1990, Luma de Oliveira se tornou uma das figuras mais icônicas da cultura popular brasileira. Como rainha de bateria de escolas como Viradouro e Portela, ela revolucionou o Carnaval carioca com um estilo que fundia moda, ousadia e carisma, protagonizando desfiles que entraram para a história da Sapucaí.

Continua depois da publicidade

Seu perfil público ganhou outra dimensão internacional durante seu casamento com o empresário Eike Batista, entre 1991 e 2004 – período em que ele figurou entre os homens mais ricos do mundo. Nesses anos, Luma circulou pela alta sociedade em capitais como Nova York e Londres, frequentando eventos exclusivos e redes de influência global.

É neste contexto de trânsito pelos círculos econômicos e sociais de elite que seu nome teria sido registrado em agendas e listas de contatos associadas a Jeffrey Epstein, conforme revelado pelos documentos judiciais recentemente divulgados nos Estados Unidos.

A menção, em e-mails de 2012, faz referência ao seu vínculo anterior com Batista e ilustra a extensão da rede de contatos mantida pelo financista.

Continua depois da publicidade

O agente e a rede de modelos

Jean-Luc Brunel, fundador da agência Karin Models e considerado braço direito de Epstein, foi preso em Paris em 2020 acusado de estupro, agressão sexual e associação a rede de exploração. Foi encontrado morto em sua cela em fevereiro de 2022 – a morte foi tratada como suicídio.

Documentos mostram que Epstein tinha interesse específico em agências de modelos brasileiras. Em e-mails de 2016 com um contato chamado Ramsey Elkholy, é discutida a possibilidade de comprar essas empresas para “ter acesso a todas as garotas”.
Elkholy chega a sugerir: “Basicamente, você poderia levar essas garotas para qualquer lugar nos EUA, ou para Paris ou Caribe.”

Entre as agências citadas estão Way Model Management, Ford Models e Elite Model. Em 2020, a acusação do caso já afirmava que modelos brasileiras levadas por Brunel tinham sido interrogadas pela polícia. Elas eram descritas como “funcionárias, namoradas ou garotas que viajavam com ele regularmente”.

Continua depois da publicidade

O desbloqueio dos documentos

No final de janeiro, a Justiça americana liberou mais de 3 milhões de páginas de arquivos relacionados ao caso Epstein, incluindo e-mails, registros financeiros e depoimentos. A divulgação segue uma longa batalha judicial por transparência.

O governo dos EUA manteve o direito de editar trechos para proteger identidades de vítimas, preservar investigações em andamento ou ocultar materiais considerados muito sensíveis.
 

Conteúdos Recomendados

©2026 Diário do Litoral. Todos os Direitos Reservados.

Software