Caso Epstein: Entenda por que o nome de ex-modelo brasileira aparece nos arquivos divulgados

Arquivos da Justiça americana expõem conversas de 2012 entre Jeffrey Epstein e o agente Jean-Luc Brunel sobre personalidades brasileiras.

Menção em e-mail de 2012 refere-se ao antigo casamento da modelo com Eike Batista e não indica envolvimento em atividades criminosas

Menção em e-mail de 2012 refere-se ao antigo casamento da modelo com Eike Batista e não indica envolvimento em atividades criminosas | Reprodução/Redes Sociais

A ex-modelo brasileira Luma de Oliveira foi citada em uma troca de e-mails entre o financista condenado Jeffrey Epstein e o agente de modelos Jean-Luc Brunel, em agosto de 2012. A correspondência integra os milhares de documentos do caso Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

No diálogo, Epstein pergunta sobre “a namorada de Eike Batista”. Brunel responde. “Citei a Luma de Oliveira, ele era ou é casado com ela.” Na época da troca de mensagens, a ex-modelo e o empresário já estavam separados havia oito anos – o casamento durou de 1991 a 2004.

A menção não indica qualquer envolvimento de Luma com as atividades criminosas de Epstein. Várias personalidades públicas, inclusive os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, também aparecem nominalmente nos arquivos. O Palácio do Planalto já negou que tenha havido contato telefônico entre Lula e o magnata.

Quem é Luma de Oliveira 

Entre as décadas de 1980 e 1990, Luma de Oliveira se tornou uma das figuras mais icônicas da cultura popular brasileira. Como rainha de bateria de escolas como Viradouro e Portela, ela revolucionou o Carnaval carioca com um estilo que fundia moda, ousadia e carisma, protagonizando desfiles que entraram para a história da Sapucaí.

Seu perfil público ganhou outra dimensão internacional durante seu casamento com o empresário Eike Batista, entre 1991 e 2004 – período em que ele figurou entre os homens mais ricos do mundo. Nesses anos, Luma circulou pela alta sociedade em capitais como Nova York e Londres, frequentando eventos exclusivos e redes de influência global.

É neste contexto de trânsito pelos círculos econômicos e sociais de elite que seu nome teria sido registrado em agendas e listas de contatos associadas a Jeffrey Epstein, conforme revelado pelos documentos judiciais recentemente divulgados nos Estados Unidos.

A menção, em e-mails de 2012, faz referência ao seu vínculo anterior com Batista e ilustra a extensão da rede de contatos mantida pelo financista.

O agente e a rede de modelos

Jean-Luc Brunel, fundador da agência Karin Models e considerado braço direito de Epstein, foi preso em Paris em 2020 acusado de estupro, agressão sexual e associação a rede de exploração. Foi encontrado morto em sua cela em fevereiro de 2022 – a morte foi tratada como suicídio.

Documentos mostram que Epstein tinha interesse específico em agências de modelos brasileiras. Em e-mails de 2016 com um contato chamado Ramsey Elkholy, é discutida a possibilidade de comprar essas empresas para “ter acesso a todas as garotas”.
Elkholy chega a sugerir: “Basicamente, você poderia levar essas garotas para qualquer lugar nos EUA, ou para Paris ou Caribe.”

Entre as agências citadas estão Way Model Management, Ford Models e Elite Model. Em 2020, a acusação do caso já afirmava que modelos brasileiras levadas por Brunel tinham sido interrogadas pela polícia. Elas eram descritas como “funcionárias, namoradas ou garotas que viajavam com ele regularmente”.

O desbloqueio dos documentos

No final de janeiro, a Justiça americana liberou mais de 3 milhões de páginas de arquivos relacionados ao caso Epstein, incluindo e-mails, registros financeiros e depoimentos. A divulgação segue uma longa batalha judicial por transparência.

O governo dos EUA manteve o direito de editar trechos para proteger identidades de vítimas, preservar investigações em andamento ou ocultar materiais considerados muito sensíveis.