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Cotidiano

Casa Martim Afonso passará por revitalização ainda este mês

Instalada em um sítio arqueológico, equipamento está depredado e sofre com problemas estruturais

Casa abriga dois espaços de exposições: A Casa De Madeira e a Casa do Barão de Piracicaba / Matheus Tagé/DL

Houve um tempo no qual quem passasse pela Rua Padre Manoel, no Centro de São Vicente, vislumbrava apenas um imóvel histórico no número 469. Não imaginava que ali existia também um sítio arqueológico com início no século XVI, que guarda resquícios sobre os sambaquis e a ocupação indígena em solo vicentino. O espaço, que abriga hoje a Casa Martim Afonso, deverá ser revitalizado pela Administração Municipal de São Vicente ainda neste mês. A ideia é que a partir de novembro deste ano o equipamento integre o Circuito de Turismo Histórico e Cultural de São Vicente.

A reforma é urgente e necessária: o único prédio público que guarda os registros da história da Cidade - tais como mapas, plantas de obra e livros históricos – está com infiltrações, problemas no telhado, vidraças quebradas e luminárias danificadas.

A Prefeitura de São Vicente afirma que a revitalização do local contará com interações na manutenção da estrutura. Disse ainda que no início do ano a Casa recebeu nova pintura, pois a anterior estava completamente deteriorada. Faz parte do plano de governo, posteriormente, reformar completamente o espaço.

Instalada numa edificação do final do século XIX e que foi parcialmente demolida em 1997, o imóvel é uma homenagem a Martim Afonso de Souza, fundador de São Vicente.

Atualmente, a Casa abriga dois espaços de exposições: A Casa De Madeira e a Casa do Barão de Piracicaba. Além das exposições, na Casa Martim Afonso está instalado o Centro de Documentação e Memória de São Vicente (CEDOM).

Acervo histórico e riquezas imateriais da primeira cidade do Brasil

A parede de pedras no fundo do imóvel resiste de pé há cinco séculos. Registros apontam que o muro faz parte da casa de pedra, uma das mais antigas edificações de que se tem registro no Brasil, datada da primeira década do século XVI. A descoberta foi o estopim para o início da escavação no terreno, o que resultou no resgate de inúmeros materiais arqueológicos de valores incomensuráveis.

A partir de setembro de 2009 foram retomadas as escavações pela Prefeitura de São Vicente através da Secretaria de Cultura, sob responsabilidade do arqueólogo Manuel Gonzalez que registrou o projeto no Iphan como “Sítio Arqueológico Bacharel”.

Além da ampliação da área de pesquisa foram evidenciados 25 metros de parede do século XVI, onde foram encontrados vestígios de sambaqui com idade de dois a três mil anos, bem como cerâmica tupi de aproximadamente 800 anos. Vestígios de ocupação europeia do século XVI ao XX, também foram encontrados, culminando em um acervo de mais de 800 peças.

O espaço abriga também um importante acervo da história da primeira cidade do Brasil, com catalogação de mapas antigos da cidade doados pela Secretaria de Obras Públicas e livros históricos.

O historiador e diretor de equipamentos culturais de São Vicente, Marcos Braga, afirma que a proposta para o espaço é continuar as escavações e permitir visitas monitoradas no Sítio Arqueológico em um futuro próximo.

A Secretaria de Cultura diz que essa ideia faz parte de um projeto maior, ambicioso, que depende significativamente de recursos e que trabalha viabilizar por meio de projetos decorrentes de Leis de Incentivo à Cultura e parcerias com a iniciativa privada.

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