Cotidiano
Em estados como Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Ceará e Piauí, o mercado imobiliário segue uma lógica oposta à de grandes centros urbanos com preços extremamente baixos
Algumas cidades se destacam pelo equilíbrio entre valor do imóvel e estrutura urbana mínima embora nenhuma seja 'paraíso' sem contrapartidas / ImageFX
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Enquanto o preço dos imóveis dispara nas capitais brasileiras, uma realidade bem diferente se espalha pelo interior do Nordeste: há cidades onde uma casa inteira custa menos do que um carro popular. Em estados como Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Ceará e Piauí, o mercado imobiliário segue uma lógica oposta à de grandes centros urbanos — com preços extremamente baixos, alugueis acessíveis e custo de vida reduzido, mas também com desafios importantes.
Em alguns casos, o valor de uma casa chega a ser tão baixo que equivale a um celular topo de linha ou uma motocicleta usada.
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Sim, essas casas existem — e não se trata apenas de imóveis em condição precária. Em algumas cidades, é possível encontrar moradias completas com preços médios entre R$ 50 mil e R$ 120 mil, valor que, em metrópoles brasileiras, não paga nem a entrada de um apartamento pequeno.
Um dos exemplos é Patos (PB), cidade do Sertão paraibano, onde:
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o preço médio de uma casa fica em torno de R$ 120 mil;
o aluguel de um imóvel de 3 quartos pode ser mais barato que um conjugado em João Pessoa.
A lógica se repete em diversas cidades do Maranhão, como Açailândia, Imperatriz, Caxias, Codó, Bacabal e Balsas, onde imóveis variam entre R$ 55 mil e R$ 90 mil.
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A combinação de preços baixos e custo de vida reduzido faz com que o Maranhão se torne um dos estados com maior quantidade de oportunidades imobiliárias acessíveis.
Em várias cidades maranhenses:
casas aparecem por R$ 55 mil a R$ 90 mil;
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aluguel de imóvel de 2 quartos pode variar entre R$ 500 e R$ 700;
custo de vida chega a ser 26% menor que a média nacional.
Apesar disso, especialistas alertam que o preço baixo vem acompanhado de uma realidade que precisa ser analisada com frieza: economia local mais fraca, menos oportunidades de emprego e, em alguns polos, criminalidade elevada.
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Outra surpresa aparece em municípios do interior de Pernambuco. Cidades como:
Garanhuns
Arcoverde
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Salgueiro
Serra Talhada
Afogados da Ingazeira
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Ouricuri
Cabrobó
aparecem com casas na faixa de R$ 30 mil a R$ 55 mil, com custo de vida que pode ser até 30% menor.
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O perfil desses locais costuma misturar tranquilidade, tradição e cotidiano mais simples. Mas também exigem atenção para:
infraestrutura limitada
rede de saúde com menos recursos
menor oferta de empregos formais
Algumas cidades se destacam pelo equilíbrio entre valor do imóvel e estrutura urbana mínima — embora nenhuma seja 'paraíso' sem contrapartidas.
Veja exemplos citados:
Patos (PB): casa média de R$ 120 mil e aluguel de R$ 600 a R$ 800, mas enfrenta calor intenso e criminalidade acima da média.
Açailândia (MA): cerca de R$ 90 mil, com aluguel R$ 500 a R$ 700, porém com economia fraca e envelhecimento populacional.
Imperatriz (MA): casas por R$ 80 mil, aluguel R$ 600 a R$ 800, mas com criminalidade alta e peso industrial.
Caxias (MA): R$ 75 mil, aluguel R$ 600, com poucas opções de lazer e empregos limitados.
Balsas (MA): R$ 80 mil, aluguel R$ 500 a R$ 700, cidade agrícola com infraestrutura básica.
Codó (MA): R$ 55 mil, aluguel R$ 400 a R$ 600, com mercado de trabalho modesto.
Para quem quer custo baixo, mas não abre mão de movimento econômico, universidades e comércio ativo, três cidades surgem como polos:
Crato (CE)
Juazeiro do Norte (CE)
Caruaru (PE)
Nesses municípios, o mercado ainda se mantém 'barato' em comparação às capitais, com casas na faixa de R$ 65 mil a R$ 80 mil, graças a uma economia regional mais forte e maior circulação de pessoas.
Os preços que mais impressionam aparecem no Piauí, especialmente em cidades pequenas e mais remotas. Os valores chegam a parecer irreais:
Santa Filomena: casas por cerca de R$ 25 mil
Acauã: imóveis por volta de R$ 20 mil
Bom Jesus do Piauí: casas em torno de R$ 18 mil
Manoel Emídio: cerca de R$ 15 mil
Júlio Borges: imóveis por volta de R$ 12 mil
Lagoa do Barro do Piauí: casas por R$ 10 mil
É o tipo de valor que, em grandes centros, não paga nem uma vaga de garagem.
Apesar do apelo financeiro, existe o que moradores e especialistas chamam de “custo invisível”:
distância de centros urbanos maiores
acesso mais difícil a hospitais e serviços de emergência
poucas opções de ensino avançado
vida social limitada
menor oferta de emprego
Em compensação, essas cidades oferecem o que falta em capitais: silêncio, espaço, menos estresse e contas mais baixas.
Para quem trabalha remoto, aposentados ou pessoas que buscam tranquilidade, o interior do Nordeste pode ser uma alternativa real. Mas a decisão exige cautela: imóvel barato não pode ser o único critério.
Antes de comprar, é essencial avaliar:
segurança local
distância de hospitais
acesso a transporte
oferta de empregos e renda
infraestrutura urbana básica