Cotidiano

Casa mais barata que carro popular: conheça as cidades onde dá para comprar por R$ 10 mil

Em estados como Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Ceará e Piauí, o mercado imobiliário segue uma lógica oposta à de grandes centros urbanos com preços extremamente baixos

Ana Clara Durazzo

Publicado em 29/01/2026 às 09:00

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Algumas cidades se destacam pelo equilíbrio entre valor do imóvel e estrutura urbana mínima embora nenhuma seja 'paraíso' sem contrapartidas / ImageFX

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Enquanto o preço dos imóveis dispara nas capitais brasileiras, uma realidade bem diferente se espalha pelo interior do Nordeste: há cidades onde uma casa inteira custa menos do que um carro popular. Em estados como Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Ceará e Piauí, o mercado imobiliário segue uma lógica oposta à de grandes centros urbanos — com preços extremamente baixos, alugueis acessíveis e custo de vida reduzido, mas também com desafios importantes.

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Em alguns casos, o valor de uma casa chega a ser tão baixo que equivale a um celular topo de linha ou uma motocicleta usada.

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Casas por R$ 50 mil a R$ 120 mil: um 'Brasil paralelo' no mercado imobiliário

Sim, essas casas existem — e não se trata apenas de imóveis em condição precária. Em algumas cidades, é possível encontrar moradias completas com preços médios entre R$ 50 mil e R$ 120 mil, valor que, em metrópoles brasileiras, não paga nem a entrada de um apartamento pequeno.

Um dos exemplos é Patos (PB), cidade do Sertão paraibano, onde:

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  • o preço médio de uma casa fica em torno de R$ 120 mil;

  • o aluguel de um imóvel de 3 quartos pode ser mais barato que um conjugado em João Pessoa.

A lógica se repete em diversas cidades do Maranhão, como Açailândia, Imperatriz, Caxias, Codó, Bacabal e Balsas, onde imóveis variam entre R$ 55 mil e R$ 90 mil.

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Maranhão: imóveis baratos e custo de vida até 26% abaixo da média nacional

A combinação de preços baixos e custo de vida reduzido faz com que o Maranhão se torne um dos estados com maior quantidade de oportunidades imobiliárias acessíveis.

Em várias cidades maranhenses:

  • casas aparecem por R$ 55 mil a R$ 90 mil;

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  • aluguel de imóvel de 2 quartos pode variar entre R$ 500 e R$ 700;

  • custo de vida chega a ser 26% menor que a média nacional.

Apesar disso, especialistas alertam que o preço baixo vem acompanhado de uma realidade que precisa ser analisada com frieza: economia local mais fraca, menos oportunidades de emprego e, em alguns polos, criminalidade elevada.

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Pernambuco: casas entre R$ 30 mil e R$ 55 mil em cidades menores

Outra surpresa aparece em municípios do interior de Pernambuco. Cidades como:

  • Garanhuns

  • Arcoverde

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  • Salgueiro

  • Serra Talhada

  • Afogados da Ingazeira

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  • Ouricuri

  • Cabrobó

aparecem com casas na faixa de R$ 30 mil a R$ 55 mil, com custo de vida que pode ser até 30% menor.

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O perfil desses locais costuma misturar tranquilidade, tradição e cotidiano mais simples. Mas também exigem atenção para:

  • infraestrutura limitada

  • rede de saúde com menos recursos

  • menor oferta de empregos formais

Cidades com melhor custo-benefício: preço baixo, aluguel acessível, mas desafios reais

Algumas cidades se destacam pelo equilíbrio entre valor do imóvel e estrutura urbana mínima — embora nenhuma seja 'paraíso' sem contrapartidas.

Veja exemplos citados:

  • Patos (PB): casa média de R$ 120 mil e aluguel de R$ 600 a R$ 800, mas enfrenta calor intenso e criminalidade acima da média.

  • Açailândia (MA): cerca de R$ 90 mil, com aluguel R$ 500 a R$ 700, porém com economia fraca e envelhecimento populacional.

  • Imperatriz (MA): casas por R$ 80 mil, aluguel R$ 600 a R$ 800, mas com criminalidade alta e peso industrial.

  • Caxias (MA): R$ 75 mil, aluguel R$ 600, com poucas opções de lazer e empregos limitados.

  • Balsas (MA): R$ 80 mil, aluguel R$ 500 a R$ 700, cidade agrícola com infraestrutura básica.

  • Codó (MA): R$ 55 mil, aluguel R$ 400 a R$ 600, com mercado de trabalho modesto.

Polos regionais com mais estrutura: casas entre R$ 65 mil e R$ 80 mil

Para quem quer custo baixo, mas não abre mão de movimento econômico, universidades e comércio ativo, três cidades surgem como polos:

  • Crato (CE)

  • Juazeiro do Norte (CE)

  • Caruaru (PE)

Nesses municípios, o mercado ainda se mantém 'barato' em comparação às capitais, com casas na faixa de R$ 65 mil a R$ 80 mil, graças a uma economia regional mais forte e maior circulação de pessoas.

Piauí: onde estão as casas mais baratas do Brasil — a partir de R$ 10 mil

Os preços que mais impressionam aparecem no Piauí, especialmente em cidades pequenas e mais remotas. Os valores chegam a parecer irreais:

  • Santa Filomena: casas por cerca de R$ 25 mil

  • Acauã: imóveis por volta de R$ 20 mil

  • Bom Jesus do Piauí: casas em torno de R$ 18 mil

  • Manoel Emídio: cerca de R$ 15 mil

  • Júlio Borges: imóveis por volta de R$ 12 mil

  • Lagoa do Barro do Piauí: casas por R$ 10 mil

É o tipo de valor que, em grandes centros, não paga nem uma vaga de garagem.

O preço 'emocional' da casa barata: distância, saúde e isolamento

Apesar do apelo financeiro, existe o que moradores e especialistas chamam de “custo invisível”:

  • distância de centros urbanos maiores

  • acesso mais difícil a hospitais e serviços de emergência

  • poucas opções de ensino avançado

  • vida social limitada

  • menor oferta de emprego

Em compensação, essas cidades oferecem o que falta em capitais: silêncio, espaço, menos estresse e contas mais baixas.

No fim das contas: vale a pena?

Para quem trabalha remoto, aposentados ou pessoas que buscam tranquilidade, o interior do Nordeste pode ser uma alternativa real. Mas a decisão exige cautela: imóvel barato não pode ser o único critério.

Antes de comprar, é essencial avaliar:

  • segurança local

  • distância de hospitais

  • acesso a transporte

  • oferta de empregos e renda

  • infraestrutura urbana básica

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