Cotidiano
Muitas pessoas, por curiosidade, acabam chegando perto demais desses seres marinhos ou acham que podem tocá-los, e acabam tendo consequências mais sérias
Tanto a caravela portuguesa (à esquerda) quanto água-viva trazem riscos à saúde / Imagem ilustrativa/IA
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O mar do litoral paulista, embora convidativo, esconde dinâmicas que exigem mais do que apenas filtro solar. Entre a beleza das águas de cidades como Ubatuba e São Sebastião, surgem perigos sazonais que variam de queimaduras dolorosas a armadilhas invisíveis sob as ondas. Entender como funcionam as caravelas-portuguesas e as correntes de retorno não é apenas uma curiosidade geográfica, mas uma medida essencial de segurança para quem frequenta o estado neste verão de 2026.
Você já notou que, em certos dias, as praias são tomadas por organismos azuis e arroxeados que parecem pequenos balões flutuantes? Essas são as caravelas-portuguesas. Diferente das águas-vivas comuns, elas não nadam; elas navegam ao sabor dos ventos. No litoral de São Paulo, a presença desses animais está diretamente ligada à meteorologia local. Quando os ventos sopram dos quadrantes Leste ou Sul por vários dias seguidos, eles "empurram" as colônias que vivem em alto mar diretamente para a arrebentação. Por serem animais que flutuam, elas funcionam como barcos à vela, tornando-se visitantes frequentes após a passagem de frentes frias ou mudanças bruscas na direção do vento.
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O pânico após uma queimadura de caravela ou água-viva costuma levar a erros graves. O maior mito — popularizado por filmes e lendas urbanas — é o uso de urina sobre a ferida. A ciência é categórica: nunca utilize urina, água doce, álcool ou substâncias como refrigerante. A água doce, por exemplo, pode disparar as células urticantes que ainda não estouraram na pele, liberando mais veneno. O protocolo oficial de utilidade pública indica apenas dois passos: lavar a região com a própria água do mar (para remover tentáculos grudados sem atrito) e banhar abundantemente com vinagre doméstico. O ácido acético do vinagre neutraliza a toxina tanto da caravela quanto da água-viva, e impede que a dor aumente, sendo o único "remédio caseiro" validado por biólogos e médicos.
Se as caravelas são visíveis, o perigo das correntes de retorno — as famosas "valetas" — é muitas vezes silencioso. Elas são o principal motivo de salvamentos feitos pelo GBMar (Grupamento de Bombeiros Marítimo) em São Paulo. Para identificá-las, o banhista deve observar onde as ondas não quebram. Enquanto o mar parece agitado ao redor, a corrente de retorno apresenta uma aparência de "água calma", muitas vezes com uma coloração mais escura ou turva devido à areia que é puxada para o fundo. É exatamente ali que a água que entrou na praia está voltando para o oceano com força total.
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A regra de ouro ao cair em uma valeta é: jamais nade contra a corrente em direção à areia. O esforço físico leva à exaustão e ao afogamento em poucos minutos. A estratégia correta é manter a calma, boiar e nadar lateralmente (paralelo à praia) até sair do canal da corrente. Assim que sentir que a força da água diminuiu, o banhista pode então nadar de volta para a terra firme. A prevenção continua sendo o melhor caminho: ao chegar na praia, localize o posto de salvamento mais próximo e observe as bandeiras vermelhas, que indicam exatamente onde essas correntes estão mais perigosas naquele dia.