A interdição total da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega entre Pedro de Toleto e Miracatu, no litoral sul de São Paulo, provocada por deslizamentos devido às fortes chuvas em janeiro de 2016, foi o pontapé para que alunos do 5º ano de Engenharia Civil da Esamc Santos buscassem uma saída para o problema. Além disso, a necessidade de uma boa proposta de pesquisa para o trabalho de conclusão de curso fomentou nos estudantes a ideia de buscar uma solução.
Depois de mais de um ano de pesquisa, os seis alunos participantes do grupo descobriram que a solução não envolve nenhuma tecnologia de alto custo. A resposta está no capim vetiver, gramínea de origem indiana cultivada há mais de 3 mil anos e utilizada na produção de óleos aromáticos, repelentes de insetos e perfumes. No litoral paulista, a vegetação que compõe as encostas do litoral paulista é típica da Mata Atlântica.
Segundo Patrick Neri, um dos estudantes que desenvolveram o trabalho, a grande vantagem do capim vetiver é que sua raiz pode alcançar até seis metros de profundidade e, com isso, criar estabilidade. “A raiz cresce principalmente na vertical e funciona como um grampo natural ao solo, aumentando a resistência da vegetação às forças aplicadas (das chuvas e dos ventos). O nível de segurança do capim é muito confiável e atende à norma de segurança NBR 11682, que estabelece o fator de segurança mínimo de 1,50. Com a aplicação dessa vegetação indiana o fator chega a 3,70, mais do que o dobro do exigido”, explica.
Outra questão é o custo benefício. Nas obras que utilizam os métodos convencionais em que o concreto é um dos principais elementos, o custo varia entre R$400,00 a R$500,00 por metro quadrado, já a proposta baseada na aplicação do capim vetiver, o preço cai para R$ 110 por metro quadrado.
“O trecho da rodovia que estudamos tem 1.500 m². Se esses valores fossem aplicados, o custo com o método tradicional seria de R$ 750 mil. Com o capim indianos cai para R$ 165 mil”, exemplifica Neri.
Apesar de o capim ser muito comum em estradas da Ásia e África, no Brasil, segundo os estudantes, o vetiver ainda não é utilizado nas rodovias, mas existem pesquisas acadêmicas sobre o seu uso. Hoje o produto não precisa mais ser importado, pois já existem empresas que fazem o plantio da planta, já utilizada em obras particulares.
Para o futuro, a ideia dos estudantes é que o projeto seja apresentado para os órgãos responsáveis pela conservação das encostas na região.
