Caos no trânsito na zona portuária de Santos

Empresa portuária desnuda a falta de logística para inibir caos no trânsito da Cidade em função do excesso de caminhões

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06 MAR 201314h47

De um lado, filas de caminhões, motoristas presos e irritados, motociclistas subindo em calçadas e caminhoneiros reunidos inconformados. Do outro, guardas portuários desviando o trânsito para fora da Avenida Perimetral. No meio de tudo, agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) se “virando” para minimizar o impacto viário no meio da Cidade.

Essa situação caótica, ocasionada pelo excesso de caminhões no Porto de Santos, praticamente engessou, na tarde de ontem, todo o quadrilátero de vias públicas situadas no miolo das avenidas Perimetral, Governador Mário Covas, Senador Dantas, Siqueira Campos, Afonso Pena e Rodrigues Alves, causando transtornos para dezenas de motoristas.

Uma verdadeira bagunça que provou, mais uma vez, que apesar do 121 anos de existência do Porto de Santos, as autoridades municipais e a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) não conseguem lidar nem com o que já é comum e previsível: a falta de organização das empresas portuárias com relação à entrada dos terminais.

A paralisação de parte da Avenida Perimetral e de outras vias em função do número excessivo de veículos demonstrou que, em termos operacionais, existe uma verdadeira desinteligência ou falta de sincronia entre a Codesp e a CET. 

Perimetral - Filas de veículos nas duas pistas (Foto: Matheus Tagé/ DL)

Muitos motoristas acreditavam que o mais lógico seria manter os caminhões na Perimetral e desviar os carros e demais veículos para as vias adjacentes. Mas nem os guardas portuários, nem os agentes da CET optaram por essa alternativa. Conclusão: trânsito parado.

Para ter uma ideia do verdadeiro caos formado ontem, o motorista que ousou escolher a Avenida Perimetral, tendo como rota o sentido Centro-Ponta da Praia, demorou mais de 30 minutos entre a área onde está localizado o radar e o semáforo do Concais (mais ou menos 500 metros de pista).

Até a Avenida Mário Covas uma imensa fila de caminhões ocupava a faixa esquerda de rolamento provocando mais congestionamento até o semáforo que antecede a Avenida Siqueira Campos (Canal 4). Motoristas de carros, ônibus e caminhões permaneceram parados na pista sentido Centro-Praia. Muitos saíram de seus veículos para tentar saber o que estava ocorrendo.

Já na pista sentido Ponta da Praia -Centro, na Avenida Mário Covas, no trecho entre o Canal 5 e o Canal 4, motoristas enfrentaram lentidão para acessar a via Perimetral, devido à fila de caminhões. Nesse trecho, há semanas, a pista da Avenida Mário Covas sentido Canal 4 vem sendo usada como bolsão de estacionamento improvisado de carretas, prejudicando o fluxo de veículos no local.

Na Avenida Siqueira Campos sentido Avenida Afonso Pena – cais, outro grande congestionamento envolvendo, além de caminhões, ônibus e carros. O mesmo ocorreu na Avenida Rodrigues Alves, entre a sede da Codesp e a Avenida Siqueira Campos.

Muitos caminhões carregados foram vistos em plena Avenida Afonso, entre 15 e 17 horas. Situação semelhante ocorreu em diversas vias do entorno, cujas pistas receberam asfalto novo e não estariam preparadas para receber veículos pesados.

Codesp e CET explicam a situação

Questionada, a Codesp informou, por intermédio de sua assessoria de imprensa, que em função da baixa capacidade de estocagem da safra nas regiões produtoras, ferrovia e rodovia acabam absorvendo uma demanda excessiva da carga escoada na origem e os reflexos se tornam mais críticos na ponta da cadeia logística — os portos.

Motociclistas usavam calçadas como desvio do congestionamento (Foto: Matheus Tagé/ DL)


A Autoridade Portuária revela ainda que tal situação — tráfego excessivo e congestionamentos — está ocorrendo nos principais portos do sul e sudeste ontem, particularmente, outros fatores agravaram o quadro, como um acidente na Via Anchieta, que represou o tráfego, causando posteriormente acúmulo na região ao do Porto.

A Codesp completa informando que o Terminal T Grão, por motivo de falta de aviso prévio na origem, teve uma quantidade de caminhões acima da estimada para os pátios reguladores em Cubatão, além de falta de espaço nas vagas internas de seu terminal pela não retirada de vagões pela ferrovia.

Ficou definida a retirada dos vagões para ampliar estacionamento interno. A Codesp estará dedicando um quilômetro da reta da Alemoa para acomodar caminhões para esse terminal que terá de operar sem formação de filas.

CET
Por sua vez, a CET informou que multou cinco vezes o T Grão, localizado na Avenida Perimetral, nos últimos 12 dias. Prevista no Código de Trânsito Brasileiro, a multa foi aplicada à empresa no valor máximo permitido, de R$ 319,20 por autuação. 

Caminhões não conseguem entrar no pátio da empresa para descarregar os produtos e permanecem estacionados ao longo das avenidas Mário Covas e Perimetral, gerando problemas não apenas nestas vias como também em ruas da Ponta da Praia, Estuário, Macuco e Aparecida.

Segundo a empresa, os operadores trabalharam para organizar o trânsito e manter os caminhões no lado direito da Avenida Mário Covas, liberando a passagem aos demais veículos pela a esquerda.

Na tarde de ontem, a fila tinha 3,4 quilômetros de extensão, começando na Afonso Pena e seguindo sentido Ponta da Praia até a Rua Amélia Leuchtemberg, onde passava para a outra pista, e se estendia até a entrada do terminal.

A CET concluiu ratificando a informação da Codesp, que em reunião promovida ontem, pela Secretaria de Assuntos Portuários do Município, visando resolver o impasse, o terminal alegou problemas de logística nos locais de origem das cargas. A T Grão conseguiu um espaço provisório para 50 veículos, no ‘Retão’ da Alemoa.