Há três anos, um cachorro de porte médio vive em um abrigo no Guarujá, no litoral paulista, à espera de uma família. Sociável, dócil e ativo, Fofo costuma encantar quem se aproxima pela primeira vez. O interesse, no entanto, quase sempre esfria quando os possíveis adotantes conhecem um detalhe que muda o rumo do processo.
Fofo é cego desde filhote. A condição, que não compromete sua autonomia nem seu bem-estar, ainda desperta insegurança e preconceito. O resultado é uma sequência de desistências que prolonga a permanência do animal no abrigo.
Resgate e abandono
Fofo foi resgatado ainda recém-nascido, em situação de vulnerabilidade, junto com outros filhotes. Todos encontraram um lar, exceto ele. Desde então, cresceu no abrigo, onde desenvolveu habilidades sociais e se adaptou plenamente ao ambiente.
Os cuidadores relatam que o cão mantém comportamento equilibrado, convive bem com outros animais e segue uma rotina considerada saudável. A longa institucionalização, porém, preocupa quem acompanha o caso de perto.
Interesse que não se concretiza
Segundo os responsáveis, Fofo costuma atrair pretendentes logo no primeiro contato. O temperamento dócil e a facilidade de interação chamam atenção, mas a maioria dos processos é interrompida após a entrevista inicial, quando a deficiência visual é mencionada.
A situação reflete uma realidade comum em abrigos de todo o país. Cães com deficiências físicas ou sensoriais tendem a esperar mais tempo por adoção, muitas vezes por falta de informação sobre sua capacidade de adaptação.
Vida ativa no abrigo
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram Fofo circulando com segurança, brincando e interagindo com outros cães. Mesmo sem enxergar, ele se orienta pelo espaço, responde a estímulos sonoros e mantém uma rotina ativa.
Atualmente com cerca de três anos, o cachorro está castrado, vacinado e apto para convivência familiar imediata. Os organizadores também oferecem carona solidária, permitindo que ele seja levado para outras cidades fora do litoral paulista.
O que dizem os especialistas
De acordo com o médico veterinário Thiago Borba, cães cegos não vivem em sofrimento emocional por causa da condição. Segundo ele, animais que nascem sem visão ou a perdem ao longo da vida se adaptam utilizando outros sentidos, como audição e olfato.
O especialista explica que o principal desafio está na postura do tutor. A interação precisa ser feita de forma tranquila, respeitando o tempo do animal e evitando situações de estresse desnecessário.
Visibilidade ao caso
A história de Fofo ganhou maior alcance em janeiro, após a divulgação nas redes sociais. Desde então, a campanha busca transformar o próximo ano no marco da adoção definitiva do cachorro.
O processo é criterioso e prioriza a posse responsável. As entrevistas e avaliações são feitas por meio do aplicativo Hyppet, que reúne informações sobre saúde e comportamento dos animais disponíveis.
Enquanto aguarda por uma família, Fofo segue sua rotina no abrigo, mostrando que a deficiência não limita afeto, autonomia ou capacidade de adaptação. O caso reforça como a informação ainda é decisiva para mudar destinos como o dele.
Como adotar
Para adotar o Fofo, é necessário passar pelas entrevistas de adoção através do aplicativo Hyppet – conhecido como o ‘Tinder’ da adoção. Basta baixar o app, se cadastrar e pesquisar pelo nome do pet desejado.
Após clicar em ‘Quero adotar!’, o interessado poderá mandar uma mensagem para o abrigo responsável para tratar dos trâmites da adoção. É importante ressaltar que o interessado poderá passar por uma entrevista com o abrigo para comprovar o interesse e disponibilidade.
