Cotidiano
O movimento 'digital detox' impulsiona a volta dos aparelhos básicos para quem busca menos ansiedade e mais tempo fora das redes
O Nokia 3310 teve uma valorização superior a 500% em relação ao preço de lançamento no Brasil / Istock/Getty Images
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Em um mar de notificações, aplicativos e estímulos ininterruptos, um movimento curioso ganha força: o retorno aos dispositivos essenciais. Conhecidos como feature phones (ou "celulares burros", em tradução livre), esses aparelhos focados apenas em chamadas e SMS estão conquistando quem deseja desligar o supérfluo.
Essa mudança não é apenas nostalgia. Ela nasce da necessidade urgente de recuperar o tempo, o foco e uma relação mais saudável com a tecnologia. Para muitos, a "escravidão digital" chegou a um ponto tão crítico que a única solução eficaz é uma medida radical: abandonar as telas de alta resolução.
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A escolha por um telefone básico faz parte de um processo de digital detox que ajuda a conter a ansiedade e o estresse. Ao reduzir o fluxo de mensagens e atualizações, o usuário retoma o controle sobre o próprio dia.
Embora alguns busquem esses modelos para idosos ou como aparelhos de reserva para viagens, um novo perfil de público quer apenas uma comunicação menos invasiva. Na hora de escolher, os critérios mudaram: em vez de megapixels, o que importa agora é a durabilidade da bateria, a resistência da carcaça e a simplicidade dos menus.
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O mercado atual oferece opções para diferentes perfis. O Nokia 2720 Fold, com seu design clássico "abre e fecha", permite checar notificações básicas em uma tela externa. Já o Punkt MP02 aposta no minimalismo extremo com suporte 4G, servindo como um dispositivo de luxo para quem quer foco total.
O icônico Nokia 3310 também retornou, unindo o saudosismo do jogo Snake à praticidade moderna. Para quem precisa de resistência extrema, marcas como Energizer oferecem baterias que duram semanas e lanternas potentes, ideais para contextos onde o carregador é um luxo distante.
É claro que o retorno ao básico não é para todos. A falta de acesso a serviços bancários ou aplicativos de trabalho ainda é o maior impeditivo. Para tentar equilibrar os dois mundos, surgiram os modelos híbridos: aparelhos simples que rodam versões limitadas do WhatsApp ou possuem função de roteador Wi-Fi.
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No fim das contas, a jornada é pessoal. O objetivo não é necessariamente odiar a tecnologia, mas lembrar que a vida real acontece fora das telas. Às vezes, um aparelho simples é tudo o que precisamos para retomar a presença no agora.