Cansadas de promessas, lideranças do Morro do Pacheco denunciam descaso

População pede bicicletário, fim do esgoto e da desatenção de meses por parte do poder público

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28 SET 2021Por Carlos Ratton07h00
Tubulação que era improvisada virou permanente e ainda prejudica a comunidade localTubulação que era improvisada virou permanente e ainda prejudica a comunidade localFoto: Divulgação

Lideranças do Morro do Pacheco, em Santos, entraram em contato esta semana com a Reportagem para denunciar descaso e falta de melhorias urbanas. A questão peculiar é que nem parece que o Pacheco é palco da maior prova de downhill urbano da América Latina. No dia a dia, fora do 'glamour' da competição de descida de bicicletas e longe dos olhares de adeptos ao esporte, trabalhadores e visitantes não contam sequer com um bicicletário.

O equipamento que serve para colocar bicicletas não é luxo. Muito ao contrário, fundamental para suprir a necessidade de parte da população com dificuldades de arcar com despesas de locomoção para o trabalho, escola e até ao lazer. Na orla, por exemplo, a Prefeitura é bem generosa, pois há mais de 230 vagas disponíveis em 28 locais diferentes.

Fernando Santos, da Rua Dois, fez até um vídeo mostrando que, por falta de opção, os corrimãos das escadarias, importantes para garantir a descida e subida seguras, principalmente de crianças e idosos, está servindo para amarrar bicicletas.

"Corrimão é para as pessoas se apoiarem. Sei que é difícil o trabalhador guardar o veículo, mas também falta consciência e uma ação do poder público, que poderia ajudar nos auxiliando na implantação de bicicletários. Estamos tentando implantar por conta própria", adianta.

Santos também reclama da falta de iluminação pública e até já pediu providências sobre um poste, também na Rua Dois, que estaria prestes a cair. Outros estão sem iluminação em pontos próximos à uma escola.

Em outro vídeo, o morador mostra o acúmulo de lixo que fica na subida do morro, que transborda das caçambas por falta de um recolhimento sistemático. Situação que não ocorre nos demais bairros de Santos.

Lembra também que obras prometidas pelo então prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) estão paradas, incluindo São Bento, Penha. "Estamos querendo saber porque pararam. Queremos melhorias e elas não chegam", afirma.

ESGOTO.

Joselito de Lira Cardoso, morador da Rua Sete, informa que desde as chuvas que ocorreram em março do ano passado, nada foi feito no local, nem ao menos a limpeza do desabamento ocorrido.

"Os moradores vivem com esse péssimo lugar em meio buracos insetos ratos e lacraias. Quando chove, o cano de esgoto exposto não suporta e a sujeira atinge toda a rua. O mesmo ocorre em uma caixa de água pluvial. Já mandei mensagem pra Ouvidoria e nada é resolvido", afirma.

O cano de esgoto relatado por Cardoso é o mesmo apontado por ele há um ano. O equipamento que seria provisório se tornou permanente. "Teria três meses de duração e está até hoje. O tubo não suporta o volume e sai pelas ruas e escadarias. Isso é risco".

Em 10 de março último, moradores do Pacheco perderam a paciência e resolveram fazer uma manifestação pedindo mais atenção à área em que moram, fazendo até um boneco e vários cartazes alertando sobre a suposta inércia da Administração.

PREFEITURA.

Sobre o encanamento, afirma que vai verificar junto à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Sobre a limpeza, afirma que todo o material da encosta atingida pela chuva de março de 2020 já foi retirado das vias e a respectiva limpeza também já foi concluída e encostas dos demais morros também recebem ações de limpeza e capinação periodicamente.

A reconstrução da encosta das ruas Sete e Oito do Pacheco foi iniciada em maio com sondagens, levantamento topográfico e elaboração do projeto executivo. Atualmente a obra está paralisada para readequação do cronograma físico financeiro.

A obra utiliza recursos federais solicitados pelo Município ao Ministério do Desenvolvimento Regional e contrapartida da Prefeitura, perfazendo um total de R$ 1,6 milhão.

A intervenção no Pacheco faz parte de um conjunto de três obras com investimento total de R$ 5,2 milhões, entre recursos do Município e Federal. As outras duas são no Morro São Bento (Rua Santa Marta x Marina Magalhães), que atualmente passa por readequação de cronograma físico-financeiro; e no Morro do Fontana (Avenida Nossa Senhora do Monte Serrat, 1.793), com licitação concluída, em fase de assinatura de contrato.

BALANÇO.

Este ano, a Prefeitura concluiu três obras nos morros e a quarta caminha para a fase final. Todas essas intervenções somam um investimento de R$ 12.981.375,71. Estão prontas a reconstrução do trecho de encosta do Morro da Penha, entre as ruas Oito e Um (R$ 3.650.357,96); a reconstrução de encosta entre as ruas São Manoel e São Bernardo, no morro São Bento (R$ 2.551.693,09); e a reconstrução de encosta entre as ruas Dois e Visconde do Embaré, no morro Pacheco (R$ 4.782.907,70).

A reconstrução de encosta no Morro Boa Vista, entre as ruas Dois e Visconde do Embaré, tem 77% dos serviços prontos. Um investimento de R$ 1.966.416,96. A Prefeitura trabalha na contratação dos projetos executivos para outros quatro lotes de obras emergenciais.