O prefeito de Santos, Rogério Santos (Republicanos), passou por uma cirurgia nesta terça-feira (19) e, segundo boletim divulgado, já apresenta evolução positiva no pós-operatório. O procedimento foi realizado após o próprio prefeito revelar publicamente, no início da semana, ter recebido o diagnóstico de um câncer na região cervical, localizada no pescoço.
De acordo com Rogério, a doença foi identificada ainda em estágio inicial. Esse fator, segundo os médicos, aumenta as perspectivas positivas em relação ao tratamento. Em um comunicado em vídeo divulgado nas redes sociais, o prefeito afirmou que a decisão de se afastar temporariamente das funções ocorreu por orientação médica. Dessa forma, ele passou a ter condições de se dedicar integralmente ao tratamento e ao processo de recuperação.
Especialista esclarece dúvidas sobre o câncer na região cervical
Para entender melhor a doença que afeta o prefeito de Santos, o Diário do Litoral consultou o Dr. Fernando Yaeda, cirurgião oncológico e robótico da Imuno Santos. De acordo com o especialista, o câncer cervical, nesse contexto, refere-se a uma neoplasia que surge na região do pescoço, também chamada de região cervical. “É importante diferenciar esse tipo de câncer do câncer de colo do útero, que também é chamado de cervical, mas se trata de uma condição completamente distinta e exclusiva do público feminino”, afirma.
O Dr. Fernando explica que o câncer na região do pescoço pode surgir de forma primária. No entanto, o mais comum é que ele seja resultado de metástases de tumores originados em outras áreas próximas, como cavidade oral, faringe, laringe e esôfago. Nesses casos, a doença costuma se manifestar por meio do aumento de linfonodos, conhecidos popularmente como “ínguas”, na região do pescoço.

Principais sintomas e fatores de risco
Os principais sintomas da doença, segundo o cirurgião, incluem dificuldade para se alimentar, dor ao engolir, dor persistente na garganta, feridas na boca que não cicatrizam. Além disso, dores na cavidade oral que podem ser confundidas com problemas dentários e o surgimento de nódulos ou ínguas no pescoço. O médico alerta que esses sinais podem parecer simples, mas, quando persistentes, devem ser investigados.
Em relação aos fatores de risco, o Dr. Fernando destaca que a maior atenção é direcionada ao riscos externos. “Os principais fatores de risco estão relacionados ao estilo de vida, especialmente o tabagismo e o consumo excessivo de álcool. Além disso, também existe associação com o HPV (papilomavírus humano), que tem sido cada vez mais observado em casos de câncer de cabeça e pescoço, principalmente em pacientes mais jovens”, declara.
Quando procurar um médico e sintomas
O especialista recomenda que o paciente procure avaliação médica sempre que houver sintomas persistentes, especialmente quando eles duram mais de um mês. Alterações como dificuldade para se alimentar, dor ao engolir, feridas que não cicatrizam ou o aparecimento de ínguas no pescoço que não desaparecem são sinais de alerta que exigem investigação imediata.
As chances de tratamento e cura, de acordo com o Dr. Fernando, estão diretamente relacionadas ao tipo de tumor, à localização e, principalmente, ao estágio em que a doença é diagnosticada. Quanto mais precoce for a identificação, maiores são as chances de sucesso no tratamento. As abordagens podem variar entre cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou a combinação dessas modalidades, dependendo de cada caso.

A importância do apoio psicológico durante o tratamento
O impacto emocional do diagnóstico de câncer é significativo, já que a doença ainda carrega um estigma forte, muitas vezes associado à morte. No entanto, com os avanços da medicina, os prognósticos têm melhorado consideravelmente. “Hoje, existem tratamentos mais modernos, como imunoterapia e terapias-alvo, além de técnicas mais precisas em cirurgia e radioterapia, que permitem abordagens mais eficazes e individualizadas”, disse.
Por fim, o especialista conclui que o suporte emocional é fundamental durante todo o processo, pois contribui para a adesão ao tratamento e para a qualidade de vida do paciente. Dessa forma, o acompanhamento psicológico ajuda tanto o paciente quanto a família a lidarem com o diagnóstico e com os desafios do tratamento.
