Caminhoneiros continuam em área da União na Alemoa

SPU moveu ação de reintegração de posse com pedido de liminar contra a ocupação da área que já foi utilizada como estacionamento

Comentar
Compartilhar
18 JAN 201311h24

A ocupação do Movimento dos Caminhoneiros sem Pátio em área da União localizada na região portuária da Alemoa, completa sete dias nesta quinta-feira, 10. Os caminhoneiros da Baixada Santista, que reivindicam a cessão de um estacionamento público gratuito, podem ter que deixar o local a qualquer momento, caso seja deferida a liminar da ação de reintegração de posse movida pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU).

A área ocupada está localizada na Avenida Engenheiro Augusto Barata, em frente ao Brasil Terminal Portuário e tem 226 mil metros quadrados. De acordo com o coordenador do Movimento União Brasil Caminhoneiros, Heraldo Gomes Andrade, que também é diretor da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), a área tem capacidade para 1.300 caminhões. No momento, 150 carretas ocupam o equivalente a 10 mil metros quadrados desse terreno, deverá ser transferido pela SPU para a Codesp.

Heraldo afirmou que a área que já foi explorada como estacionamento privado, está ociosa há pelo menos seis anos. “Essa área solucionaria o problema de falta de estacionamentos para caminhões na região”, afirmou.

Heraldo afirmou que a ocupação é uma forma de pressionar o Governo da União e a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) a cederem um estacionamento público gratuito para os caminhoneiros que moram na região e enfrentam dificuldades com a falta de vagas de estacionamentos e áreas proibidas em zona urbana. 

Heraldo disse que após sete dias não há um consenso entre os caminhoneiros e a SPU para a desocupação do terreno. No entanto, os ocupantes estão na iminência de deixar o local caso a Justiça acate a liminar de ação de reintegração de posse movida pela SPU. Até o fechamento desta edição, não havia informações sobre o deferimento ou não da liminar, pois a reportagem A reportagem contatou a SPU, mas nenhum representante foi localizado para comentar o assunto.

Segundo Heraldo, a SPU havia proposto uma reunião com a categoria que seria realizada na última segunda-feira, dia 7, desde que os caminhoneiros deixassem a área na sexta-feira.

A proposta da SPU, conforme Heraldo, era de que os caminhoneiros saíssem do terreno e a secretaria se comprometeria a estudar a possibilidade de concessão de uma outra área juntamente com a Codesp para um bolsão de estacionamento gratuito. A proposta foi recusada pela categoria que sugeriu a permanência na área até que uma solução fosse encontrada. A proposta dos caminhoneiros também foi recusada.

Entretanto, Heraldo afirmou que o movimento acatará a decisão judicial caso seja deferida e garantiu que a retirada será pacífica assim como está sendo a ocupação.

Heraldo criticou ainda os congestionamentos causados pelas carretas que se dirigem aos terminais do Tecondi, Rodrimar e Libra, na Alemoa, que transportam cargas de importação. “Essas empresas transformaram a avenida (Retão da Alemoa) em extensão dos terminais. As filas de caminhões chegam até a (via) Anchieta, e prejudicam os caminhoneiros da Baixada que transportam carga para exportação”.

De acordo com Heraldo há pelo menos 6.355 caminhoneiros na Região segundo cadastro da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes (CNTT). Desses, aproximadamente cinco mil são autônomos.

O caminhoneiro autônomo, Ronald Silva, que mora da Rua Senador Dantas, em Santos, disse que além da proibição para estacionamento de caminhões perto de sua residência, enfrenta outro sério problema: os furtos.

Para ele a cessão de um estacionamento público gratuito seria a solução. Ronaldo disse que furtos de combustível, bateria e chicote (cabos de cobre) são freqüentes em qualquer região de Santos.

O caminhoneiro disse que gastou R$ 480 para repor a bateria que foi roubada de seu veículo. “As peças são caras. Um estepe custa em torno de R$ 1.200; a bateria R$ 480; um chicote, R$ 230 com a mão de obra; e um topógrafo varia de R$ 700 a R$ 1 mil. E não dá pra andar sem topógrafo. É um fator de segurança”, disse Ronald.
     
CEV

Nesta sexta-feira, às 16 horas, a Comissão Especial de Vereadores (CEV) que trata dos assuntos do porto, presidida pelo vereador Manoel Constantino dos Santos, realizará reunião com os caminhoneiros, na Sala Princesa Isabel, no Paço Municipal, para discutir o problema. O Movimento União Brasil Caminhoneiros já confirmou presença.