Caminho entre Santa Cruz e Praia do Góes será recuperado em Guarujá

O projeto executivo ainda será definido, mas caminho recuperado está próximo após término de pandemia de coronavírus

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11 MAI 2021Por Carlos Ratton07h00
Caminho entre Góes e Santa Cruz causa perigo e Prefeitura deve promover recuperação em breveCaminho entre Góes e Santa Cruz causa perigo e Prefeitura deve promover recuperação em breveFoto: Nair Bueno/DL

A Secretaria de Planejamento (Seplan) de Guarujá informa que há um estudo para recuperar o caminho entre as praias de Santa Cruz dos Navegantes e Góes, em Guarujá, muito importante para dezenas de caiçaras que moram, principalmente na segunda, em termos de abastecimento, assistência médica e transporte público.

"O projeto executivo ainda será definido. Em razão da pandemia, o projeto Ouvidoria Itinerante foi interrompido e deverá ser retomado em breve. Tão logo as atividades sejam normalizadas, a Prefeitura retomará o assunto para verificar a viabilidade de execução das melhorias na região", garante.

SITUAÇÃO.

A demanda é bastante necessária. Dias atrás, em um vídeo postado nas redes sociais e encaminhado à Reportagem do Diário, um morador de Guarujá percorreu o que restou do caminho entre as praias mostrando os perigos aos quais dezenas de moradores são submetidos diariamente, entre eles estudantes.

Castigado pelas ressacas e pela falta de manutenção, em muitos trechos, o caminho submete as pessoas ao risco de uma queda de dezenas de metros de altura. "Se a pessoa não morrer na queda ao bater a cabeça e pedras, morre afogada. Não existe qualquer contenção. Quando chove, trechos de menos de um metro e cheios de pedras ficam escorregadios. O caminho é a única forma terrestre de acesso entre as duas praias quando o mar está revolto", alerta.

Em agosto de 2019, o Diário já havia alertado sobre a questão. Os moradores da Praia do Góes acreditavam que as constantes dragagens, promovidas pela antiga Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), com o objetivo de aprofundar o canal do Estuário para mantê-lo navegável para grandes navios, não só destruíram o caminho, mas também diminuíram a faixa de areia, enlamearam o mar e são responsáveis pela subida da maré, que invade casas e pequenos comércios. Barcos também estão tendo dificuldades para atracar pois o mar ficou mais revolto.

Após o alerta dado pela Reportagem a Prefeitura de Guarujá promoveu uma incursão no local para obter informações dos moradores e, ainda, apresentar o pré-projeto de uma passarela elevada e iluminada, ligando o Góes à ao bairro de Santa Cruz dos Navegantes. Também apresentou um projeto de fossa séptica.

A passarela tem por objetivo repor o Caminho do Góes, uma trilha encostada nas pedras, de cerca de 800 metros, construída pelos moradores e destruída pelas ondas.

CODESP.

A Santos Port Authority (SPA), antiga Codesp, já se manifestou garantindo que, desde 2010, em atendimento ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), monitora o comportamento morfossedimentar das praias, incluindo a do Góes, onde foram efetuados estudos aprofundados complementares para avaliar com mais detalhe os fenômenos, cujos resultados indicam que a obra de dragagem de aprofundamento não se configura no agente causador dos processos erosivos e deposicionais.

A SPA disse que iria continuar o monitoramento, em atendimento à Licença de Operação do Porto Organizado de Santos. Com relação à recuperação do Caminho do Góes, entende ser de responsabilidade da municipalidade.