Câmeras registram ação da PM contra sindicalistas em Santos

Presidente do Sintraport afirma que denunciará ação; um sindicalista precisou ser hospitalizado

Comentar
Compartilhar
28 ABR 2017Por Da Reportagem14h43
As agressões resultaram em hematomas pelas costas, costelas e braços do sindicalistaAs agressões resultaram em hematomas pelas costas, costelas e braços do sindicalistaFoto: Diário do Litoral

O presidente do Sindicato dos Operários Portuários de Santos e região (Sintraport), Claudiomiro Machado, o Miro, afirmou que entrará com um processo contra integrantes do Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar (BAEP). Miro, um diretor e mais dois funcionários ligados ao Sintraport foram agredidos pelos policiais na manhã de hoje (28) em frente à sede da entidade sindical após atos de protestos contra as reformas trabalhista, previdenciária e a lei da terceirização. Câmeras de monitoramento flagraram parte da ação.

Nas imagens é possível ver três viaturas do BAEP estacionando na Rua General Câmara, sentido Praça Mauá. Do lado oposto, um homem caminha a passos lentos até a sede do sindicato quando um policial o atinge com um cassetete. Ele corre e esbarra em outro funcionário, que também é agredido. Ambos entram na sede do sindicato, cercada por soldados da PM. Algum tempo depois Miro aparece correndo ofegante. Nesse momento um terceiro soldado também o atinge com cassetete. Antes de conseguir entrar no sindicato ele tenta falar algo com um PM e é novamente ameaçado com o equipamento.

A reportagem do Diário do Litoral acompanhou a ação. Pouco tempo após o tumulto, um PM exigiu que a porta do sindicato fosse fechada. Dois sindicalistas com os rostos e uniformes ensanguentados foram levados na viatura. Poças de sangue ficaram na calçada após o término da ação, que durou cerca de 10 minutos.

O presidente do Sintraport conta que os policiais acompanharam os sindicalistas após os atos da Praça Mauá.

“Estávamos retornando para o sindicato, acompanhados por alguns funcionários da estiva, quando notamos as três viaturas nos seguindo. Na altura da Rua Brás Cubas os policiais seguiram sentido Alfândega. Nós continuamos caminhando, mas ligamos para a sede para pedir que abrissem a porta, pois temíamos uma ação surpresa por parte da PM, o que de fato aconteceu. Eles haviam dado apenas a volta no quarteirão para nos aguardar perto do Sintraport”, afirma Miro.

As agressões resultaram em hematomas pelas costas, costelas e braços do sindicalista. Outro funcionário ficou com um hematoma na cabeça. De acordo com Miro, a ação foi arbitrária e os sindicalistas não ofereciam riscos que justificassem o uso da força.

“Não estávamos armados e não carregávamos nada. Apenas seguíamos rumo ao sindicato. Nada justifica a forma como a PM agiu”, conta, acrescentando que entrará com um processo ao lado dos demais trabalhadores feridos.

No total, três funcionários do Sintraport foram encaminhados para o 1º DP de Santos e liberados em seguida.
Já o trabalhador avulso de capatazia Josivaldo Rodrigues de Jesus, de 43 anos, foi encaminhado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santos com um ferimento no rosto. Ele corre o risco de perder a vista direita. Além da pancada no rosto, o trabalhador também foi ferido na  cabeça e demais parte do corpo.

A Polícia Militar informou que analisará o caso.

Já a Polícia Civil analisará as imagens das agressões cometidas por policiais militares contra os trabalhadores portuários.

PM explica ações executadas na região

O Comando de Policiamento do Interior (CPI-6) enviou nota oficial esclarecendo a ofensiva realizada nesta sexta-feira.

“Hoje, 28, por conta das paralisações e manifestações em todo o país, a Polícia Militar na região da Baixada Santista e Vale do Ribeira atuou para garantir a ordem pública e segurança da população.

Em alguns pontos foi possível negociar e liberar as vias para garantir o direito constitucional de transitar das pessoas. Em outros, foi necessário o emprego de medidas para cessar atos de violência com o uso moderado da força, e detenção de pessoas por seus atos criminosos, o que resultou em 9 pessoas detidas:

- 5 por enfrentar com agressões por ataque de pedras e paus, contra a integridade dos policiais militares e das pessoas que passavam pelos locais; e

- 4 pessoas por cortarem mangueiras de ar dos caminhões, para que ficassem imobilizados nos logradouros.

De todas as manifestações públicas havidas na região, as de destaque em intervenções e detenções, temos:

Na confluência da Rodovia Cônego Domenico Rangoni com a Avenida 9 de Abril, em Cubatão, a Polícia Militar negociou a liberação das pistas para às 6h40, mas, com a quebra do negociado, a Polícia Militar interveio às 6h50 e liberou as vias, sob pedradas dos manifestantes, sendo necessário o emprego de munição de efeito moral (luz e som);

A divisa entre Santos e São Vicente, na avenida da praia, foi liberada por meio de negociação;
Próximo ao meio-dia, no Centro de Santos, Praça Mauá, em frente ao Paço Municipal, houve concentração de manifestantes, onde houve violência destes contra a Polícia Militar, sendo necessárias ações para cessarem os atos de violência, ataques de pedras, com o uso de munições de efeito moral, identificação e prisão dos infratores que estavam em meio à turba. Um cavalo e um cão da Polícia Militar ficaram feridos;

Tanto na Avenida Nossa Senhora de Fátima como no cais do Porto, local conhecido como Praça da Fome, indivíduos foram contidos e detidos por cortarem as mangueiras de ar dos caminhões, provocando a imobilização destes veículos nas vias.

No período da tarde, um ônibus foi incendiado em São Vicente, no bairro Sambaiatuba, e, do que foi apurado, ser ação de vandalismo, sem relação exata com as manifestações de hoje.

A Polícia Militar não tem o cômputo do número de pessoas manifestantes na região”.