Cotidiano

Câmara secreta selada por 40 mil anos pode revelar últimos neandertais da Terra

Arqueólogos encontram cápsula do tempo intacta em caverna de Gibraltar com restos de animais e vestígios de 'supercola' pré-histórica

Giovanna Camiotto

Publicado em 12/01/2026 às 19:52

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Gibraltar pode ter sido o último refúgio dos neandertais no mundo antes de sua extinção definitiva / Reprodução/Wikimedia Commons

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O complexo de cavernas de Gorham, localizado no Rochedo de Gibraltar e classificado como Patrimônio Mundial da UNESCO, guarda uma história fascinante sobre a sobrevivência humana. Recentemente, arqueólogos que escavam o local, às margens do Mar Mediterrâneo, descobriram um verdadeiro museu natural que detalha a vida dos neandertais.

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O complexo, um labirinto de falésias de calcário, esconde quatro cavernas: Gorham, Vanguard, Hiena e Bennet. Embora a caverna de Gorham fosse originalmente inacessível, a elevação do nível do mar criou uma entrada que hoje permite o acesso pelo Mediterrâneo.

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A parte mais fascinante dessa história ocorreu com a descoberta, em 2021, de uma câmara de 13 metros de profundidade na Caverna Vanguard, que ficou selada por sedimentos e areia durante 40 mil anos. No interior dessa "câmara secreta", foram encontrados restos mortais de linces, hienas, abutres e até um caracol marinho gigante, possivelmente levado por habitantes locais.

Segundo o portal IFL Science, as escavações, iniciadas de forma sistemática nos anos 80, revelaram que o local teve atividade humana há 100 mil anos, muito antes da chegada do homem moderno à Europa Ocidental.

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O complexo de cavernas é Patrimônio Mundial da UNESCO/Wikimedia Commons
O complexo de cavernas é Patrimônio Mundial da UNESCO/Wikimedia Commons
Embora a caverna de Gorham fosse originalmente inacessível, a elevação do nível do mar criou uma entrada/Wikimedia Commons
Embora a caverna de Gorham fosse originalmente inacessível, a elevação do nível do mar criou uma entrada/Wikimedia Commons
Gibraltar pode ter sido o último refúgio dos neandertais no mundo antes de sua extinção definitiva/Wikimedia Commons
Gibraltar pode ter sido o último refúgio dos neandertais no mundo antes de sua extinção definitiva/Wikimedia Commons

As descobertas revelam detalhes surpreendentes sobre os costumes desses antigos habitantes. Evidências de uma dieta baseada em frutos do mar, como mexilhões, peixes, focas e golfinhos, mostram a engenhosidade na obtenção de alimento.

Além disso, foram encontrados adornos em formato de linhas cruzadas nos pisos, datados de 39 mil anos, que pesquisadores acreditam ser uma das primeiras formas de expressão artística da humanidade.

Outro ponto que demonstra a tecnologia avançada desses grupos foi o achado de uma lareira de 60 mil anos na Caverna Vanguard. Nela, era produzido o alcatrão de bétula, uma espécie de "supercola" pré-histórica usada para fixar cabos em armas e ferramentas.

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As pesquisas indicam que os neandertais ocuparam o local entre 33 mil e 24 mil anos atrás, datas extremamente recentes na cronologia evolutiva. Isso leva os cientistas a crerem que Gibraltar pode ter sido o último refúgio dos neandertais no mundo antes de sua extinção definitiva.

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