Parece que a reportagem do Diário do Litoral abordando o momento inoportuno da Prefeitura de Santos se tornar gestora do deficitário Museu Pelé, devido a atual fragilidade econômica do País e dos municípios, foi ao encontro de alguns vereadores santistas. O vereador Marcelo Del Bosco Amaral (PPS) aprovou um requerimento questionando a iniciativa do Executivo.
Del Bosco quer que o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) explique de que forma será feito o gerenciamento do equipamento, qual o gasto mensal para mantê-lo em funcionamento e se existem recursos para tal.
Na reportagem, a Prefeitura de Santos garante que possui dotação este ano para o custeio do museu. Porém, ainda não sabe quanto o equipamento arrecada por mês, quais suas despesas e qual o modelo de gestão será adotado.
A Prefeitura só garantiu que Edson Arantes do Nascimento e a Sport 10 não receberão nada e doaram o acervo sem ônus para o Município.
A Administração Municipal vai assumir as despesas de preservação e manutenção do prédio (água, luz, telefone e outras), com pessoal, e seguro das peças, avaliado em R$ 19 milhões. Até então, o espaço estava sob gestão da AMA Brasil que, durante dois anos, não conseguiu equilibrar receitas e despesas do equipamento.
Vale lembrar que o Diário do Litoral publicou reportagens entre 30 de setembro e 13 de outubro de 2014 – em pleno ano da Copa do Mundo no Brasil – mostrando que o equipamento operava no vermelho com um déficit mensal de cerca de R$ 70 mil – o museu precisava de R$ 200 mil para se manter e arrecadava cerca de R$ 130 mil. Também publicou que a população preferia passar horas de lazer no Aquário e no Orquidário ao invés do museu do Rei do Futebol.
Na época, os ministérios públicos estadual e federal receberam, simultaneamente, pedido de apuração sobre as verbas públicas utilizadas na construção e manutenção do Museu Pelé.
O responsável por ambos os pedidos foi o vereador Antônio Carlos Banha Joaquim (PMDB), alegando ter esgotadas todas as possibilidades de obter esclarecimentos da Administração Municipal.
A fragilidade do equipamento sempre foi evidente. Já houve corte de energia por falta de pagamento e salários atrasados.
Em 2014, a Prefeitura publicou decreto barateando a entrada às terças-feiras, passando de R$ 18,00 para R$ 9,00 (uma redução de 50%).
Em uma ação para obter receita, a AMA Brasil propagou via rádio a possibilidade das pessoas alugarem o espaço para festinhas de aniversário e outros eventos familiares.
