Câmara de Cubatão monta comissão para salvar CAMP

Medida foi tomada para combater o PL que prevê o fim de entidades que auxiliam nas contratações de jovens aprendizes

Os vereadores de Cubatão criaram uma comissão especial que tratará da manutenção do trabalho executado por entidades que desenvolvem o aprendizado e auxiliam nas contratações de jovens aprendizes como o CAMP da cidade. A medida foi tomada após repercussão do projeto de lei nº 5.228/2019, do senador Irajá Abreu (PSD-TO) que prevê o fim de entidades que auxiliam os adolescentes em seus primeiros passos no mercado de trabalho.

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A discussão sobre a criação da comissão ocorreu na quarta, no decorrer da 40ª sessão ordinária da Câmara. Alertados por profissionais do Centro de Aprendizagem Metódica e Prática (CAMP) ‘Mário dos Santos’, os vereadores levaram ao plenário o debate sobre um PL que corre atualmente no senado e que pode afetar de maneira drástica o funcionamento de instituições voltadas ao ensino e inserção de jovens e adolescentes no mercado de trabalho.

O projeto de lei em questão se trata do 5.228/2019, que foi apresentado no Plenário do Senado Federal pela primeira vez ainda durante a primeira quinzena de outubro. Em seu conteúdo, o autor, o senador por Tocantins Irajá Abreu, afirma dispor sobre o contrato de aprendizagem, sobre as entidades educacionais qualificadas em formação técnico-profissional metódica e sobre o contrato de primeiro emprego.

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A matéria seria destinada ao trabalhador que esteja matriculado em cursos de ensino superior ou da educação profissional e tecnológica e que não tenha vínculo empregatício anterior registrado em carteira. Em seu primeiro texto, o projeto diz almejar combater o desemprego entre os jovens destacando dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que afirmam que no segundo trimestre de 2019, 41,8% da população de 18 a 24 anos fazia parte do grupo dos subutilizados.

Entre alguns dos pontos abordados pelo senador estão o aumento do prazo da aprendizagem de dois para três anos, de modo a poder ‘se casar com o próprio ciclo do ensino médio’. O projeto, entretanto, também prevê um segundo ponto que define que “a contratação do aprendiz não poderá mais ser terceirizada, o que tornará o vínculo com a empresa mais efetivo, aumentando as chances de contratação ao término da aprendizagem”.

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A definição, caso aprovada em conjunto com o PL, pode levar ao fim de instituições como o Camp de Cubatão e outras similares da Região. “Isso vai afetar não somente os jovens de Cubatão, mas do Brasil afora infelizmente, existem alguns ‘iluminados’ que criam projetos que acabam tirando e acertando onde não deve acertar. A infelicidade desse representante, que diz ser do povo, foi apresentar um projeto de lei que acaba com a vida profissional, com o ganha pão de nossas famílias”, afirmou o vereador Marcinho (PSB) no plenário.

A intenção da comissão recém-inaugurada é levar uma comitiva até Brasília para tentar convencer os senadores a vetar o projeto de lei ou até mesmo impedi-lo de continuar tramitando na casa.

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“Como é que um camarada faz um PL para praticamente acabar com o CAMP? Mas essa é a realidade. Passaram pelo CAMP alguns dos nossos vereadores, secretários, diretores de nossas cidades. Se fossemos falar de quantas pessoas passaram pelo CAMP e se formaram ficaríamos aqui até amanhã, é uma instituição de mais de 40 anos, séria. Me causa estranheza quando me chega um projeto de lei desses, enquanto há tanta coisa para se fazer. Não é difícil fazer um projeto de lei, o problema não é ter lei, eu queria dizer para esse senador que o problema não é fazer lei, o problema é ter justiça. Novamente a corda quebra lá na ponta mais fraca”, discursou o vereador Wilson Pio (PSDB).

Já o vereador Toninho Vieira (PSDB), que foi patrulheiro na própria instituição, acredita que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) não sancionará a lei caso ela siga tramitando e venha a ser eventualmente aprovada tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados.

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“Infelizmente, um senador da República, um homem que tem conhecimento de lei, de causa, não tem ideia do quanto vai prejudicar vários jovens [se for aprovada]. Há adolescentes que vivem desse dinheiro senhor senador, eles mantém a família deles com esse recurso, seria uma vergonha e eu espero que o senhor esteja ouvindo os vereadores dessa casa de leis”, concluiu.

SENADO.

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Apresentado em caráter oficial no dia 6 de setembro deste ano, o projeto de lei já passou pelas mãos de equipes do plenário do Senado Federal e da Comissão de Assuntos Sociais. Atualmente, o PL teve dois requerimentos aprovados para que seja realizada uma audiência pública com o objetivo de instruir a matéria.

Neste momento, o texto aguarda uma data para que a reunião seja realizada antes do projeto ser debatido. Mesmo após isso, entretanto, todo o material ainda deverá ser submetido a outras comissões antes de retornar ao Senado para ser pautado a uma primeira e eventualmente segunda discussão. Sendo aprovado, o PL seguirá para a Câmara dos Deputados antes de chegar às mãos do Executivo para eventual sanção ou veto. (LG Rodrigues)