Cadeia Velha deverá reabrir com oficinas culturais em Santos

Estado fará repasse de R$ 214 mil para manutenção de cursos para Centro de Artes Integradas

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10 MAI 2017Por Rafaella Martinez10h30
Hoje o diretor executivo da AGEM, Edmur Mesquita, se reunirá com representantes da classe artística onde deverá ser formalizado o uso compartilhado do espaçoFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Ao que tudo indica haverá um final feliz para a novela que se arrasta desde 2012 na Cadeia Velha de Santos. Após o anúncio de que a unidade abrigaria apenas a sede da Agem e o polo local do Projeto Guri, Estado e Município entraram em consenso e o espaço seguirá fornecendo oficinas culturais gratuitas para a população da Baixada Santista. As ações deverão acontecer na área térrea da antiga cadeia e serão executadas por produtores locais da região, mediante um repasse de R$214 mil para manutenção das oficinas ao longo de 2017. A Secretaria de Cultura do Estado não confirma a informação e afirma que se pronunciará oficialmente hoje sobre a demanda.

As informações foram confirmadas pelo atual presidente do Conselho de Cultura de Santos, o produtor cultural Junior Brassalotti e pelo secretário municipal de Cultura Fabião Nunes. Brassalotti conta que em reunião da comissão sobre a Cadeia Velha da Câmara de Santos, realizada na tarde de ontem, recebeu as informações do vereador Chico do Settaport.

“É uma vitória da classe artística e também um modelo para que outras cidades se mobilizem e lutem por políticas públicas para a Cultura. A Cadeia receberá o escritório da Agência Metropolitana da Baixada Santista, mas será um Centro Cultural de Artes Integradas composto pela Agem e não o contrário”, afirma.

O secretário de Cultura de Santos conta que está alinhado com o Município e o Estado o valor do repasse de R$ 214 mil, que corresponderia aos meses de fevereiro deste ano até novembro (algo em torno de R$ 21 mil mensais) e que esse valor seria o necessário para manter as oficinas culturais.

“O Estado destinava R$70 mil para a Poiesis (O.S. que administrava as oficinas culturais). Conseguimos chegar nesse valor após alinhar o uso compartilhado do espaço. Dessa forma, a Agem usará o prédio de manhã e de tarde e a noite está garantida a função artística da Cadeia, que será tocada pelos movimentos culturais, como não poderia deixar de ser”, afirma Fabião.

O secretário aponta ainda que a recente mudança no comanda as Secretaria de Cultura (José Luiz Penna assumiu em abril o posto anteriormente ocupado por José Roberto Sadek) contribuíram para a demora do posicionamento final sobre o uso do espaço, o que deverá ser anunciado nos próximos dias. Hoje o diretor executivo da AGEM, Edmur Mesquita, se reunirá com representantes da classe artística onde deverá ser formalizado o uso do equipamento.

Guri

O apelo dos responsáveis pelos 250 alunos que frequentam o Projeto Guri na Zona Noroeste de Santos parece também ter surtido efeito. Após denunciarem no Diário do Litoral as limitações impostas pela mudança da sede do projeto para a Cadeia Velha, a informação, ainda não confirmada pela Secretaria de Cultura do Estado, é que um polo das oficinas será mantido no sambródomo.

Agem diz que uso será compartilhado

Em nota, a Agência Metropolitana da Baixada Santista (Agem) confirmou que as celas da área térrea da Cadeia Velha serão destinadas ao Projeto Guri e aos movimentos culturas, que terão espaço garantido, inclusive para a realização de oficinas, com base na pareceria entre a Secretaria de Estado da Cultura e as prefeituras.

Disse ainda que a migração para a Cadeia Velha está inserida em uma política de contenção de despesas e ressaltou que a Cadeia Velha continuará a ser palco das manifestações culturais, pois se trata de um patrimônio da sociedade e dos movimentos culturais.

A Agem está elaborando um termo de permissão de uso compartilhado.