Cotidiano

Cadê os vaga-lumes? Entenda por que o inseto está ficando raro no litoral de São Paulo

O Brasil abriga a maior diversidade de vaga-lumes do mundo, concentrada principalmente na Mata Atlântica

Márcio Ribeiro, de Peruíbe para o Diário

Publicado em 26/03/2026 às 17:40

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Os vaga-lumes utilizam a bioluminescência (produção de luz por um organismo) para se comunicarem / Matheus Leite

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Antes abundantes em todos os lugares, inclusive na Baixada Santista, os vaga-lumes estão cada vez mais raros em áreas de ocupação humana, especialmente nos centros urbanos e arredores. Tudo indica que a poluição luminosa é a grande responsável por esse sumiço, e especialistas alertam para o risco crescente de extinção.

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Ainda é possível avistá-los em áreas preservadas, como unidades de conservação, zonas rurais e locais mais afastados. No entanto, estudos recentes mostram que até mesmo essas regiões são afetadas pela claridade dos grandes centros. O avanço da urbanização, o uso de pesticidas e o desmatamento também agravam o cenário.

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Para que serve a luz do vaga-lume?

Matheus Leite, estudante de mestrado da UFRJ, explica que os vaga-lumes utilizam a bioluminescência (produção de luz por um organismo) para se comunicarem. Machos e fêmeas brilham para encontrar parceiros e realizar o comportamento de corte, processo em que as fêmeas selecionam cuidadosamente seus pares. Por esse motivo, a capacidade de brilhar é vital para a sobrevivência do grupo.

Em locais iluminados, essa comunicação é drasticamente prejudicada. A luz artificial compete com o brilho natural, impedindo que os insetos se percebam. Além disso, muitas espécies tendem a parar de brilhar quando expostas à luz externa. Por isso, para observar vaga-lumes no escuro, o ideal é manter lanternas e luzes de celulares apagadas.

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Diversidade e conservação

O Brasil abriga a maior diversidade de vaga-lumes do mundo, concentrada principalmente na Mata Atlântica — considerada um hotspot (ponto de alta riqueza biológica) para o grupo.

Embora ainda não exista uma lista compilada das espécies específicas do litoral de São Paulo, os gêneros mais comuns na Mata Atlântica são: Photinus, Photuris, Pyrogaster, Amydetes, Cratomorphus e Aspisoma. Cada um desses gêneros engloba diversas espécies com diferentes níveis de distribuição.

De acordo com Matheus, a sensibilidade à urbanização varia entre os grupos, mas, no geral, todos sofrem com o impacto das cidades e dos agrotóxicos. Ele ressalta que, infelizmente, ainda faltam políticas públicas e listas de estado de conservação voltadas para insetos e outros invertebrados. Apesar disso, pesquisadores têm unido esforços para monitorar esse cenário.

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Muitas populações estão ameaçadas e algumas podem já ter sido extintas, visto que não são mais encontradas em seus habitats tradicionais. Contudo, a confirmação de uma extinção exige dados oficiais e publicações científicas específicas.

“Recentemente, foi criado um grupo de trabalho da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) para avaliar o estado de vulnerabilidade dos vaga-lumes. Com isso, em breve, teremos a inclusão das espécies ameaçadas na Lista Vermelha da instituição”, conclui o pesquisador.

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