Cabral diz a Dilma que poder recorrer à Justiça contra transposição do Paraíba

O governador disse à presidente ainda que os órgãos técnicos do Rio vão elaborar "todos os estudos possíveis" para impedir que seja aprovado qualquer projeto que estabeleça ajuda a SP

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21 MAR 201421h48

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), avisou à presidente Dilma Rousseff, durante audiência nesta sexta-feira, 21, no Planalto, que "se for preciso, irá à Justiça", para impedir que o governo de São Paulo aproveite águas do Rio Paraíba do Sul, ou do seu afluente, Jaguari, para reforçar os reservatórios do sistema Cantareira, em São Paulo, que está com sua capacidade de água quase esgotada, prejudicando a população paulista.

Cabral disse à presidente ainda que os órgãos técnicos do Rio ligados ao setor vão elaborar "todos os estudos possíveis" para impedir que seja aprovado qualquer projeto que estabeleça ajuda a São Paulo, usando água do rio paraíba do Sul.

Cabral aproveitou a audiência com a presidente Dilma, agendada para apresentar um pedido de tropas federais para ajudar na segurança do Estado, abalado pelos ataques dos criminosos à polícia militar, nos morros pacificados, para advertir ao Planalto sobre sua disposição de não permitir que as águas da bacia do rio Paraíba sejam usadas para ajudar os paulistas.

Sérgio Cabral avisou à presidente Dilma que

Na reunião, Cabral fez questão de dizer que "respeita o governador Geraldo Alckmin, mas esta falta de água no estado é um problema de gestão dele e não do Rio de Janeiro". E teria reiterado ainda que não vai permitir que a população de situação de seu estado seja prejudicada.

A presidente Dilma Rousseff não vai entrar diretamente na disputa entre Cabral e Alckmin. Ela não quer incentivar esta guerra deflagrada entre os dois estados, que poderá ganhar proporções ainda maiores, em um ano eleitoral. A recomendação da presidente Dilma foi para que a Agência Nacional de Águas (ANA) apressar os estudos existentes para que se resolva a questão.

Só que, de acordo com informações obtidas na ANA, o governador de São Paulo ainda não apresentou nenhum novo estudo à agência pedindo a aprovação de qualquer projeto capaz de resolver o problema de abastecimento de água nos reservatórios do sistema Cantareira. O entendimento do governo federal é que a ANA tem de encontrar uma solução técnica que solucione o problema, sem agravá-lo politicamente.