O escorpião-amarelo é considerado o mais venenoso entre as espécies encontradas no Brasil / Divulgação/Butantan
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O número de acidentes por picada de escorpião no Brasil cresceu de forma expressiva na última década. Dados do Ministério da Saúde apontam que as notificações passaram de cerca de 85 mil em 2015 para mais de 200 mil em 2023, o maior registro da série histórica, representando aumento de 230% na comparação com o período anterior.
Segundo a bióloga Denise Candido, do Biotério de Artrópodes do Instituto Butantan, o avanço está ligado à combinação de urbanização acelerada, mudanças climáticas, perda de biodiversidade e características biológicas do próprio animal.
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“Existe uma dinâmica muito particular, pois ao mesmo tempo em que o ser humano invade o habitat natural do escorpião, ele cria as condições ideais para que o animal se prolifere”, afirma a especialista.
A expansão desordenada das cidades, associada a falhas de saneamento e acúmulo de lixo, favorece a presença de baratas, principal alimento do escorpião, além de oferecer abrigo em redes subterrâneas de água e esgoto. Em São Paulo, o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) passou a predominar em áreas urbanas por apresentar maior adaptação a ambientes modificados.
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Outro fator relevante é a reprodução por partenogênese, processo em que a fêmea gera descendentes sem necessidade de acasalamento. “Na prática, isso significa que um único indivíduo pode dar origem a toda uma população, desde que encontre alimento, abrigo e água”, explica Denise.
O aumento das temperaturas também contribui para a maior atividade do animal, especialmente a partir de outubro, período em que os registros de acidentes costumam crescer. A ampliação do desmatamento e a circulação de espécies antes restritas a outros países da América do Sul também indicam processo de adaptação ecológica em curso.
“O que vemos não é apenas reflexo da melhora no registro de notificações, mas também um aumento real dos acidentes. São dois movimentos que acontecem ao mesmo tempo”, ressalta a pesquisadora.
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Diante do cenário, o controle recomendado envolve busca ativa e coleta física por profissionais capacitados. O Instituto Butantan é responsável pela produção do soro antiescorpiônico distribuído na rede pública pelo Ministério da Saúde. Em caso de picada, a orientação é lavar o local com água e sabão, aplicar compressa morna e procurar atendimento médico imediato, principalmente em crianças.