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Cotidiano

Busca por emprego atrai dezenas de pessoas em Santos

Por volta das 11 horas de ontem, mais de 220 pessoas já tinham se candidatado às vagas de operador de telemarketing anunciadas pelo Centro Público de Emprego e Trabalho

Caroline Souza

Publicado em 24/07/2018 às 08:00

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Seleção no Centro Público de Emprego e Trabalho continua / Rodrigo Montaldi/DL

Dezenas de pessoas formaram fila no Centro de Santos em busca de uma oportunidade de emprego. Por volta das 11 horas de ontem, mais de 220 pessoas já tinham se candidatado às vagas de operador de telemarketing anunciadas pelo Centro Público de Emprego e Trabalho (CPET). Além das oportunidades para área de telemarketing, o CPET está com vagas em aberto para outras 12 funções. O processo seletivo continua nesta ­terça-feira.

Uma das candidatas, Jéssica Moreira tem 25 anos e está desempregada há cerca de um ano. “Não estou conseguindo nem trabalho informal. Neste momento, dependo da ajuda dos meus pais”, conta.

Aos 51 anos, Neide Aparecida também estava na fila. “Estou desempregada há dois anos. Usei este tempo para terminar o 2º grau e agora espero conseguir uma vaga”, declara. Neide costuma ir todas às segundas ao local, mas ainda não obteve sucesso.

De acordo com o chefe do Departamento de Empreendedorismo e Emprego da Prefeitura, Ronaldo Ferreira, 300 pessoas serão encaminhadas para o processo seletivo de operador de telemarketing. Ferreira acredita que o segundo semestre terá mais oportunidades. “Estamos em uma recuperação gradual e já vemos uma melhora nos empregos com relação ao primeiro semestre”, afirma.

Os interessados devem ser moradores de Santos, maiores de 18 anos e com Ensino Médio Completo. É necessário levar carteira de trabalho, PIS, RG e CPF.

O Centro Público de Emprego e Trabalho fica na Rua Amador Bueno, 249, Centro. O horário de atendimento é das 8 às 17 horas.

Bicos

“Meu último emprego formal foi há cerca de seis meses”, comenta Jéssica Aparecida. “Para complementar a renda em casa, vendo produtos de beleza”, completa.

A realidade de Aparecida corresponde a de 64% da população, segundo estudo realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). O percentual de consumidores que recorreram a alguma forma de trabalho extra ou bicos para complementar a renda no primeiro semestre deste ano passou de 57% para 64%. Nas classes C, D e E, a proporção salta para 70% dos entrevistados.

“A recuperação da economia ainda é bastante lenta e surte pouco efeito prático na realidade dos brasileiros. O momento mais crítico da crise ficou para trás, mas isso não significa que a vida das pessoas tenha melhorado substancialmente. A renda das famílias segue achatada e o consumo melhora a passos lentos porque o desemprego segue alto e a confiança abalada”, explica a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Há oito anos Flávia Cavalcante não tem um registro em sua carteira. Em 2014, chegou a fazer um curso de Logística, mas não conseguiu nada na área. Sem emprego formal, ela costuma trabalhar como cuidadora de idosos e com vendas em geral, mas não desiste de conquistar uma vaga CLT.

De modo geral, 77% dos brasileiros declaram que ainda não sentem os efeitos da melhora da economia no seu cotidiano, seja nos preços dos bens e serviços, juros, emprego ou consumo.

Segundo apurou a pesquisa, entre esses entrevistados 77% consideram que os preços continuam aumentando, ao mesmo tempo em que 56% pensam que as taxas de juros estão muito elevadas e 54% argumentam que o mercado de trabalho segue sem contratar. Além disso, 57% das pessoas ouvidas disseram que ficaram desempregados ou tiveram algum membro da família que perdeu o emprego nos últimos meses.

No primeiro semestre deste ano, Ana Cláudia Pinheiro perdeu o emprego e precisa dos bicos para ter uma renda. “Para me sustentar, faço bicos de faxina e em buffets”, comenta.

A pesquisa ouviu 886 consumidores de ambos os gêneros, acima de 18 anos e de todas as classes sociais nas 27 capitais do país. A margem de erro é de no máximo 3,3 pontos percentuais a uma margem de confiança de 95%.

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