Apesar de atualmente serem gigantescos desertos de gelo, a Antártica e o Ártico escondem milhões de anos de história terrestre congelados sob suas camadas frígidas / Freepik
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Imagine morar em um acampamento isolado, a 700 km de qualquer civilização, enfrentando o frio extremo para tocar o solo enterrado há milênios.
Uma equipe de 29 desbravadores fez exatamente isso na Antártida Ocidental. Eles não buscavam apenas aventura, mas sim os segredos escondidos sob meio quilômetro de gelo maciço.
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Galeria: os segredos da Antártida, o continente gelado
A operação utilizou água quente para perfurar 523 metros de gelo até atingir o sedimento rochoso. Posteriormente, os cientistas extraíram um núcleo de 228 metros de comprimento, o maior já recuperado em tais condições extremas.
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Cada seção dessa amostra contém lodo e areia que documentam o passado geológico profundo. Logo, os pesquisadores agora possuem um registro contínuo que abrange cerca de 23 milhões de anos da história terrestre.
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Durante as análises iniciais, a equipe identificou microfósseis marinhos em camadas que deveriam ser apenas terra firme. Além disso, encontraram fragmentos de conchas que só sobrevivem em águas iluminadas pelo sol forte.
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Tais achados provam que a região não esteve sempre coberta por camadas espessas de gelo. Assim, as evidências apontam que o oceano já ocupou aquele espaço em períodos de aquecimento global bastante intenso.
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A região da Antártida Ocidental é considerada um dos pontos mais sensíveis do sistema climático atual. Como sua base está abaixo do nível do mar, o contato com águas quentes acelera o derretimento.
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Dados de satélite mostram que a perda de massa nessa área está ocorrendo de forma acelerada. De fato, o colapso total dessa camada poderia elevar o nível do mar em até cinco metros.
O estudo investiga como o gelo reage ao aumento de 2°C na temperatura global. Esse valor é o mesmo limite sugerido pelo Acordo de Paris para evitar desastres climáticos maiores no futuro.
Ao analisar épocas passadas com temperaturas similares, os cientistas podem prever o comportamento das geleiras. Em suma, o núcleo sedimentar fornecerá as respostas necessárias para protegermos nossas zonas costeiras de forma eficiente.
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