O gado é, estatisticamente, o grupo de animais mais afetado por tempestades elétricas no país / Freepik/Imagem gerada por IA
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O Brasil ocupa o topo do ranking mundial quando o assunto é a quantidade total de descargas atmosféricas. Segundo o Grupo de Eletricidade Atmosférica do INPE, o país registra dezenas de milhões de raios que atingem o solo todos os anos.
Essa liderança em números absolutos é explicada pela vasta extensão territorial e por fatores climáticos típicos de regiões tropicais, como a combinação de calor intenso e alta umidade, que favorece a formação de tempestades severas.
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No cenário rural, essa realidade se traduz em um desafio constante para a pecuária. O gado é, estatisticamente, o grupo de animais mais afetado por tempestades elétricas no país.
De acordo com especialistas da Embrapa, o risco para os bovinos é potencializado pela vida em pastagens abertas e por uma característica física específica: a tensão de passo.
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Devido à grande distância entre as patas e ao contato com o solo molhado, a corrente elétrica de um raio próximo pode atravessar o corpo do animal com facilidade, tornando a descarga frequentemente fatal.
A exposição em áreas descampadas é o principal fator de risco para o rebanho. Em dias de temporal, os bovinos tendem a buscar abrigo sob árvores isoladas, que acabam funcionando como para-raios naturais, transformando o que seria uma sombra em uma armadilha mortal.
Relatos técnicos descrevem casos de fulguração — morte causada por corrente atmosférica — onde vários animais são encontrados mortos juntos, já que o comportamento de se agruparem durante a chuva facilita que uma única descarga atinja múltiplos indivíduos simultaneamente.
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Para reduzir os prejuízos econômicos e garantir a segurança no campo, a prevenção envolve ajustes na infraestrutura e no manejo. A Embrapa detalha que é possível diminuir os riscos através de sistemas de aterramento eficientes e da proteção adequada de cercas metálicas, que podem conduzir a eletricidade por longas distâncias.
Além disso, o manejo estratégico para evitar que o gado permaneça nos pontos mais altos do terreno em dias de instabilidade é uma medida que salva vidas.
Embora o campo concentre as perdas de animais, as áreas urbanas também exigem cautela. O perigo de um raio não está apenas na queda direta, mas nos picos de energia e surtos que percorrem a rede elétrica. Para evitar acidentes domésticos e danos em aparelhos, as principais recomendações incluem:
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Desligar eletrônicos: Equipamentos sensíveis devem ser retirados da tomada ao primeiro sinal de trovão.
Evitar o banho: Instalações hidráulicas e elétricas podem conduzir energia de descargas próximas, tornando o chuveiro um ponto de risco.
Buscar abrigo seguro: Permanecer em estruturas fechadas e evitar o uso de telefones ligados à tomada.
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Uma dúvida comum em tempestades elétricas é sobre a segurança dentro de veículos. O carro é considerado um dos abrigos mais seguros se você estiver na rua, graças à sua carroceria metálica que conduz a corrente ao redor dos ocupantes até o solo.
No entanto, é fundamental manter janelas e portas fechadas e evitar o contato com partes metálicas internas até que a instabilidade passe completamente.
A lição que fica das estatísticas do INPE e das orientações técnicas é que a prevenção é a ferramenta mais barata e eficaz. Seja no campo ou na cidade, entender os sinais de tempo severo e seguir protocolos de segurança reduz drasticamente as chances de tragédias durante a temporada de chuvas no Brasil.
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