“Bolsa Família, muito assistencialismo”: Luciano Hang critica benefício e reacende debate sobre trabalho no Brasil

O fundador da rede afirmou que o excesso de assistencialismo estaria contribuindo para a dificuldade de contratação enfrentada por empresas

Luciano Hang sempre foi crítico à Rede Globo / Reprodução

A fala ocorreu no último sábado (30), durante a abertura da nova unidade da Havan em Taquara, no Vale do Paranhana.

Uma declaração de Luciano Hang sobre o Bolsa Família durante a inauguração de uma nova megaloja da Havan no Rio Grande do Sul voltou a colocar o empresário no centro de um debate nacional envolvendo mercado de trabalho, programas sociais e empregabilidade.

O fundador da rede varejista afirmou que o excesso de assistencialismo estaria contribuindo para a dificuldade de contratação enfrentada por empresas em diferentes setores da economia brasileira.

A fala ocorreu no último sábado (30), durante a abertura da nova unidade da Havan em Taquara, no Vale do Paranhana.

Em coletiva de imprensa, o empresário declarou que está faltando mão de obra no país e que todo mundo está reclamando do Bolsa Família e do excesso de assistencialismo.

Segundo ele, as pessoas se acostumam a viver com R$ 600, enquanto poderiam trabalhar na empresa para ganhar salários de R$ 3 mil, R$ 4 mil ou R$ 5 mil.

A declaração repercutiu rapidamente nas redes sociais e reacendeu discussões sobre os impactos dos programas de transferência de renda na participação da população no mercado formal de trabalho.

Havan aposta em contratação de idosos e aposentados

As críticas surgiram quando Hang compartilhou uma abordagem que a empresa está tentando implementar para preencher novas vagas no que ele chamou de escassez de mão de obra.

A rede aparentemente tem contratado mais profissionais idosos, incluindo aposentados e pessoas com mais de 70 anos, disse o empresário.

No evento, ele falou sobre funcionários com idades entre 62, 72 e até 77 anos que trabalham para a empresa agora, dizendo que a idade de uma pessoa não é medida pelo que se parece; ao contrário, está na cabeça.

Muitos aposentados ainda gostam de trabalhar profissionalmente e consideram o emprego uma forma de recomeçar, disse Hang.

Ele declarou que as pessoas que se aposentaram, às vezes muito cedo, hoje se sentem capazes de mudar a sua vida novamente através do trabalho, representando o recomeço de muitas vidas por todo o Brasil.

Debate sobre falta de mão de obra cresce no país

O tema da escassez de trabalhadores vem sendo levantado por diferentes setores da economia nos últimos anos. Empresas ligadas ao comércio, construção civil, indústria, logística, transporte e serviços relatam dificuldades para preencher vagas, especialmente em funções operacionais e de atendimento.

O problema é multifacetado, incluindo mudança demográfica, envelhecimento da população, transformação do mercado de trabalho, informalidade, qualificação profissional e o desequilíbrio entre remuneração e expectativas dos trabalhadores que é ainda mais agravado.

É um debate que também toca em programas sociais como o Bolsa Família, citado quase exclusivamente por grupos empresariais e políticos em discussões sobre candidatos a emprego.

Em contraste, pesquisadores da economia deste setor dizem que os programas de transferência de renda são menos responsáveis pela escassez de mão de obra porque a maioria dos beneficiários está em busca de outras fontes de emprego.

Críticas às regras para jovens trabalhadores

Luciano Hang também criticou as regras que impedem adolescentes e jovens de ingressarem no mercado de trabalho formal, durante a coletiva de imprensa.

O Brasil, disse ele, colocou barreiras quando se trata de jovens entrarem em atividades profissionais cedo, acrescentando que o país estava errado por permitir que as pessoas entrassem na produção apenas quando completassem 18 anos.

A declaração também gerou repercussões por abordar um tema historicamente sensível no país.

A legislação brasileira agora permite que jovens sejam contratados como aprendizes a partir dos 14 anos, mas existem regras para atividades de proteção contra o trabalho regular formal para menores.

Nova megaloja recebeu investimento milionário

As declarações foram feitas durante o lançamento da nova unidade da Havan em Taquara, que está entre as maiores da região.

A megaloja contém cerca de 11.000 metros quadrados, mais de 350.000 produtos, uma praça de alimentação, estacionamento gratuito e um complexo com quatro salas de cinema. A unidade é a 192ª do Brasil nesta rede e a 21ª do Rio Grande do Sul.

A inauguração também se soma ao plano de expansão nacional, que prevê que a Havan tenha 200 lojas até 2026, disse a empresa.

Além do impulso econômico da unidade, o evento chamou a atenção nacional principalmente por causa das declarações de Hang sobre o Bolsa Família, a força de trabalho envelhecida e a escassez de profissionais, assuntos que continuam a dividir opiniões de empresários, economistas e trabalhadores.