Boko Haram ataca maior cidade do nordeste da Nigéria

Residentes presos em Maiduguri disseram que não podiam dormir devido ao barulho dos canhões, foguetes e metralhadores, que começou na noite de sábado

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01 FEV 201511h04

Extremistas islâmicos do Boko Haram atacaram Maiduguri, a maior cidade no nordeste da Nigéria, a partir de quatro frentes durante a noite, disseram testemunhas. As forças do Chade libertaram na quinta-feira Malumfatori, uma cidade na fronteira com a Nigéria que estava sob o domínio do grupo há meses. Maiduguri é berço do movimento extremista.

Os líderes africanos autorizaram, em uma cúpula realizada neste sábado, a criação de uma força com 7.500 soldados da Nigéria e quatro países vizinhos para enfrentar a propagação da revolta islâmica pelo grupo Boko Haram.

Residentes presos em Maiduguri disseram que não podiam dormir devido ao barulho dos canhões, foguetes e metralhadores, que começou na noite de sábado. Um oficial do exército sênior disse que "havia militantes em toda parte", atacando de todos as quatro estradas da cidade, e que eles estavam a cerca de 15 quilômetros da cidade de 2 milhões de habitantes. O oficial falou sob condição de anonimato porque não estava autorizado a dar informações aos jornalistas.

Todas as saídas da cidade foram bloqueadas e o aeroporto internacional de Maiduguri foi fechado desde que os insurgentes lançaram um grande ataque em dezembro de 2013, destruindo cinco aviões em uma base da força aérea vizinha.

O presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, declarou estado de emergência em maio de 2013 quando ele admitiu que o Boko Haram tinha tomado o controle de doze vilarejos e cidades no nordeste. As tropas do Exército agiram rapidamente para expulsar os insurgentes, mas como estão mal-equipadas e desmoralizadas, perderam terreno desde então.

Em agosto, o Boko Haram declarou um califado Islâmico e agora detém cerca de 130 cidades e vilarejos, de acordo com a Anistia Internacional. Os extremistas têm aumentado o ritmo e ferocidade dos ataques. Cerca de 10.000 pessoas morreram no ano passado, em comparação com 2.000 nos primeiros quatro anos do levante, segundo o Conselho de Relações Exteriores dos EUA.

O presidente Jonathan está concorrendo à reeleição em um disputado voto no dia 14 de fevereiro. O Boko Haram denuncia a democracia como uma invenção do Ocidente corrupto. 

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