BNDES apoia com R$ 3,5 milhões projeto de restauração de patrimônio em Santos

Ruínas do Engenho São Jorge dos Erasmos terão espetáculo de luz e som, passarelas e torre de observação para melhor acesso dos visitantes

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01 ABR 201417h00

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou concessão de apoio financeiro de R$ 3,5 milhões à Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, através da Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo (FUSP), para projeto de revitalização das ruínas do Engenho São Jorge dos Erasmos, em Santos, e mapeamento dos sítios históricos e arqueológicos em cinco municípios da Baixada Santista. Os recursos, não reembolsáveis, são provenientes do Fundo Cultural do Banco.

O monumento é o único remanescente arquitetônico quinhentista na modalidade “engenho de açúcar” que ainda preserva reconhecida autenticidade em suas edificações. As obras nas ruínas — que são, hoje, o legado de um período pouco conhecido e se enquadram na tipologia de museu a céu aberto — compreendem a construção de plataformas, passarelas e torre de observação, além da instalação do sistema de projeção audiovisual.

As passarelas articuláveis permitirão o trânsito de visitantes e pesquisadores sem prejuízo do sítio arqueológico, pois evitarão o pisoteamento do lugar. O objetivo é tornar o espaço acessível, sem danificá-lo. Com um mirante de 16,25 metros de altura, a torre terá quatro pavimentos e área total de 546 metros quadrados.

Espetáculo de luz e som

O espetáculo de luz e som (video mapping) será projetado sobre as estruturas das ruínas, acompanhado de narrativa simultânea. Todo o espetáculo buscará redescobrir a história do lugar e suas transformações ao longo do tempo, em sons e imagens, trazendo ao público sua contextualização no tempo e no espaço. Original, com roteiro e produção brasileiros e com o uso de tecnologia de ponta, basear-se-á em referências documentais de história, arqueologia e arquitetura e terá como tema essencial a história da economia do açúcar.

As Ruínas do Engenho São Jorge dos Erasmos passarão por uma revitalização (Foto: Divulgação/USP)

A exemplo do que ocorre em outros monumentos históricos no mundo, o uso de tecnologia considerada inovadora no país, no âmbito de um programa cultural e educativo voltado ao público, atende aos objetivos estratégicos da USP e do BNDES, que incluem o fortalecimento da economia, da cultura e o desenvolvimento de conteúdos e plataformas digitais envolvendo patrimônios históricos.

Dentro das ações implementadas pela Universidade de São Paulo para maior inserção de suas atividades na Baixada Santista, a atração permitirá a ampliação do uso e do horário de visitação do equipamento cultural, incorporando-o ao circuito turístico da cidade, que já conta com outras iniciativas apoiadas pelo BNDES: a Casa do Trem Bélico e o Museu Pelé, no Casarão Valongo, a ser inaugurado este ano.

Mapeamento

O IPHAN também será um dos parceiros no mapeamento dos sítios históricos e arqueológicos em Praia Grande, São Vicente, Santos, Guarujá e Bertioga, a ser realizado pela Universidade de São Paulo. O objetivo é suprir a falta de estudos detalhados sobre os inúmeros sítios arqueológicos semelhantes ao das Ruínas Engenho São Jorge dos Erasmos, que estão localizados na Região Santista.

O trabalho abrangerá o diagnóstico das áreas de interesse, levantamento de documentação referente aos bens selecionados, estudo das condições de cada bem, elaboração preliminar de roteiros de visitas, produção de materiais de apoio, divulgação e educação patrimonial. A realização de um estudo para mapeamento e pesquisa histórica desses sítios será o primeiro passo para fundamentar um pedido de tombamento federal de tais remanescentes.

Empregos

Durante a implantação do projeto, estima-se que sejam criados 19 postos de trabalho. Após a conclusão, a previsão é que sejam gerados 13 empregos diretos e outros 100 indiretos.