Cotidiano

Bilionário investe milhões para frear o envelhecimento e promete data para imortalidade

Projeto ambicioso reacende discussão sobre desigualdade e tecnologia expõe limites da ciência e do corpo humano

Ana Clara Durazzo

Publicado em 03/01/2026 às 14:42

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Se a visão do bilionário se concretizar, críticos alertam para um cenário em que apenas os ultrarricos teriam acesso a recursos praticamente ilimitados na busca pela imortalidade / Freepik

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Ciente da atenção midiática que seu projeto vem atraindo, o bilionário Bryan Johnson descreve sua iniciativa como 'um sistema operacional para atrasar o envelhecimento'. A proposta, no entanto, está longe de ser acessível: segundo o próprio Johnson, o custo anual do projeto gira em torno de € 1,9 milhão, valor destinado a tratamentos experimentais, suplementos, exames constantes e monitoramento rigoroso do próprio corpo. A cifra impressiona — e alimenta tanto fascínio quanto ceticismo.

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Apesar das críticas, Johnson mantém o discurso ambicioso. 'Tentarei alcançar a imortalidade até 2039', afirmou recentemente. Para sustentar a narrativa, ele divulga dados que indicariam estabilidade de sua idade biológica ao longo de um ano, um dos principais indicadores usados para defender a eficácia do método.

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Promessa ousada, riscos reais

O principal desafio enfrentado pelo bilionário, segundo ele mesmo reconhece, é a segurança médica. Terapias focadas em 'reverter' o envelhecimento podem desencadear efeitos colaterais graves e abrir caminho para outras doenças. Ainda assim, Johnson defende que os humanos podem, um dia, alcançar feitos semelhantes aos de organismos considerados biologicamente 'imortais', como certas espécies de águas-vivas.

Especialistas, no entanto, alertam que essa comparação ignora um ponto central: a biologia humana é extremamente mais complexa do que modelos isolados estudados em laboratório. Há meses, cientistas vêm manifestando preocupação com a forma como o projeto é apresentado ao público.

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Embora reconheçam que a iniciativa desperta interesse em áreas como biotecnologia e medicina preventiva, eles alertam que a falta de resultados concretos pode gerar frustração e até desinteresse em pesquisas sérias sobre envelhecimento.

Outro problema apontado é a dificuldade de atribuir eventuais melhorias a intervenções específicas, já que o projeto envolve múltiplos protocolos aplicados simultaneamente, o que enfraquece a validade científica das conclusões.

Documentário, desgaste e possível fim do projeto

A rotina extrema e as controvérsias em torno do experimento ganharam visibilidade global com o documentário da Netflix Don’t Die, lançado há quase um ano. A produção mostra o dia a dia de Johnson, seus procedimentos e as críticas que cercam a iniciativa.

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Apesar da exposição, o próprio bilionário admitiu recentemente estar exausto de administrar a Blueprint como um negócio. Segundo ele, a gestão do projeto gera estresse excessivo e o afasta de sua “missão principal”. Diante disso, Johnson já cogitou vender a empresa ou, em um cenário mais extremo, encerrá-la por completo.

Inteligência artificial e dilemas éticos

Além de usar o próprio corpo como laboratório, Johnson aposta que a inteligência artificial terá papel decisivo na aceleração dos avanços médicos. Essa perspectiva, porém, amplia o debate para além da ciência e toca em questões éticas sensíveis.

Se a visão do bilionário se concretizar, críticos alertam para um cenário em que apenas os ultrarricos teriam acesso a recursos praticamente ilimitados na busca pela imortalidade, aprofundando desigualdades e levantando dúvidas sobre limites morais, sociais e médicos.

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Por enquanto, Johnson afirma ter conseguido 'reverter o relógio biológico'. Seu objetivo final, no entanto, permanece ousado: não apenas desacelerar o envelhecimento, mas detê-lo completamente até 2039 — uma promessa que segue dividindo a comunidade científica e a opinião pública.

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