A reunião durou aproximadamente uma hora e meia. Às portas fechadas, no gabinete da presidência da Câmara de São Vicente, o prefeito Luis Cláudio Bili (PP) atendeu, na manhã de ontem (26), uma convocação para prestar esclarecimentos aos vereadores. Na pauta do encontro, as obras paralisadas e as finanças do Município. O chefe do Executivo disse que espera uma melhora na arrecadação, no entanto, o escalonamento dos salários dos servidores municipais já é certo em dezembro.
“Ainda não podemos dizer. Porque sempre tem a esperança de que até o último momento a arrecadação vai melhorar. Mas com certeza o pagamento será escalonado. Será bastante semelhante ao de novembro, com os pagamentos até o dia 10, 12, no máximo”, disse Bili. Sobre o pagamento do 13º salário, o prefeito disse estar confiante. “A gente espera arrecadar. Vamos torcer para entrar bastante dinheiro do IPTU em cota única em dezembro”.
Bili disse que os professores serão incluídos no escalonamento. “Também entram, porque desde abril nós estamos complementando os recursos dos profissionais da Educação com receita própria”, afirmou.
O prefeito também respondeu questionamentos referentes aos repasses do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) ao Município. “É importante ressaltar que o próprio Tribunal de Contas do Estado (TCE) detectou que nós estamos cumprindo 90% das responsabilidades que vêm do Fundeb. No passado, esse índice foi de pouco mais de 60%. O que as pessoas esquecem é que eu só posso usar 60% do que entra para pagar pessoal. Os outros 40% são para gestão”, disse Bili.
Na última terça-feira, os servidores públicos deliberaram estado de greve em assembleia realizada no sindicato da categoria. A decisão é uma medida preventiva contra o quarto escalonamento consecutivo de salários no Município. Na noite de ontem, uma nova assembleia seria realizada para discutir os encaminhamentos da possível paralisação.
A gente espera arrecadar. Vamos torcer para entrar bastante dinheiro do IPTU em cota única em dezembro.
“Gostaria que não ocorresse, mas aí é com o sindicato. Neste momento, só prejudica o Município e arrecadação”, disse Bili sobre a possibilidade de uma nova greve dos servidores.
Insatisfeito
O vereador Diogo Batista (PP), autor dos requerimentos que resultaram na ida do prefeito à Câmara, disse que as respostas obtidas na reunião não foram satisfatórias. Dos 15 vereadores, apenas três não estiveram presentes no encontro: Rafael Barreto (PPS), Fernando Bispo (Pros) e Junior Bozzella (PSDB). A reunião também contou com a presença da secretária da Saúde, Mônica Palma, e de representantes da Secretaria da Fazenda.
“Satisfeito não. Muito insatisfeito. A princípio não era esse o propósito. O propósito era que ele respondesse pelo menos na sala de reuniões, e não aqui na sala da presidência. Que fosse aberta à imprensa”, destacou Batista.
O parlamentar também criticou as respostas enviadas à Câmara pelo Executivo. “Eu fiz um pedido ao senhor prefeito para que ele desse uma atenção redobrada aos requerimentos, principalmente os meus, porque dos 100% dos requerimentos, 90% não vem com as respostas certas. Eu já disse a ele que acho isso uma falta de respeito a essa casa. Quando o requerimento não é respondido na maneira que ele é perguntado, omitindo as respostas e omitindo o que a população nos pergunta”.
Batista disse que está elaborando um estudo sobre a arrecadação do Município. Segundo ele, as informações divulgadas pela Prefeitura não batem com os dados oficiais. “O que a gente ouve muito falar, principalmente do senhor prefeito, é que a arrecadação caiu. E pelo o que eu olhei nos números em relação ao IPTU e ao Fundeb não caiu nada. Pelo contrário, ao longo dos meses e dos anos vem aumentado os valores. É muito fácil você falar que a arrecadação caiu e não é isso que os números mostram”.
