Bertioga pode ficar sem ônibus a partir de segunda-feira (17)

Trabalhadores decretaram greve nesta terça-feira (11)

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12 JUN 2019Por Da Reportagem11h35
Os atrasos salariais e de benefícios da Viação Bertioga são antigos e frequentesFoto: Divulgação/Paulo Passos

Mais de 12 mil passageiros por dia poderão ficar sem transporte coletivo, em Bertioga, litoral norte paulista, a partir de segunda-feira (17), nas sete linhas municipais, onde trafegam 27 ônibus.

Também deixarão de circular os 25 veículos que fazem o transporte escolar de aproximadamente 2.500 crianças, cada um com um motorista e uma monitora.

Em assembleia do sindicato dos trabalhadores em transportes rodoviários de Santos e região, na noite desta terça-feira (11), os motoristas e demais empregados da Viação Bertioga decretaram greve.

“Eles estão cansados de tanto desrespeito aos direitos coletivos e trabalhistas”, diz o vice-presidente do sindicato, José Alberto Torres Simões ‘Betinho’. Ele presidiu a assembleia, naquela cidade. Segundo ele, os 200 trabalhadores, sendo 80 motoristas, estão com os salários e a cesta-básica atrasados desde sexta-feira (7), quinto dia útil do mês. E sem o vale-refeição desde 25 de maio. “A situação é deprimente”, pondera Beto Simões. “Além da falta do salário para abastecer suas casas, pagar as contas e cobrir despesas gerais, estão sem o vale-refeição para almoço, janta ou lanche”.

O sindicalista reclama ainda que a empresa está em débito com o fundo de garantia (FGTS), plano de saúde, INSS e salários de férias. “Quem aguenta uma situação dessas?”. O sindicato publicará edital nesta quinta-feira (13), com base na lei de greve (7783-1989), em jornal de circulação regional e local, avisando a população e autoridades sobre a paralisação por tempo indeterminado. Beto explica que a assembleia deu um prazo até sexta-feira (14), para a empresa pagar o que deve. Se o dinheiro cair na conta dos trabalhadores, a greve será automaticamente suspensa.

Problemas são antigos

Os atrasos salariais e de benefícios da Viação Bertioga são antigos e frequentes. Há quase um ano, em 18 de julho de 2018, o prefeito Caio Matheus (PSDB) determinou fiscalização na empresa.

Ele mandou o diretor de trânsito e transportes, Roberto Teixeira, e o secretário de segurança e cidadania, Taciano Goulart Cerqueira Leite, participarem de assembleia da categoria, naquela época.

O diretor de trânsito e transporte, o secretário de cidadania e o vereador Antônio Carlos ‘da Funerária’ Ticianelli (PSDB), que também participou daquela assembleia, falaram sobre a preocupação do prefeito.

Segundo Beto Simões, a prefeitura tem o direito, como poder concedente, de fiscalizar a prestadora do serviço de transporte coletivo em vários aspectos, inclusive trabalhista.

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