Um ser gelatinoso chamou atenção dos banhistas em Praia Grande, no litoral de São Paulo, no último fim de semana. O animal, trazido pelas ondas, ficou preso na areia e despertou curiosidade entre quem aproveitava o dia de sol.
Nas redes sociais, diversos vídeos mostraram o momento em que frequentadores decidiram ajudar o animal a voltar ao mar.
“Eu tiro ela dali, não por coragem, mas por consciência. O mar tem força o suficiente para trazê-la até aqui, mas às vezes precisa de uma pequena ajuda para levá-la de volta”, escreveu um dos banhistas.
“Devolver é isso: dar mais uma chance. É um gesto simples, mas cheio de respeito, porque toda vida que o mar entrega à areia merece, ao menos, a tentativa de voltar para o seu lugar”, publicou outro.
Essas atitudes de respeito à vida marinha são especialmente importantes com a chegada da temporada de verão, quando aumentam os casos de pessoas que capturam ou maltratam animais nas praias — como filhotes de peixes e águas-vivas.
Espécie identificada
De acordo com a bióloga Gemany Caetano, o animal avistado era uma Lychnorhiza lucerna, uma espécie de água-viva da ordem Rhizostomeae.
Encontrada ao longo da costa atlântica da América do Sul — da Guiana Francesa até Buenos Aires, na Argentina —, a espécie habita águas costeiras rasas e estuários.
É considerada a medusa mais abundante dessa ordem nas regiões em que ocorre e costuma ser vista encalhada nas praias.
Organismos gelatinosos que não queimam
Nem todas as águas-vivas oferecem risco aos banhistas. Confira algumas espécies inofensivas:
- Medusa-da-lua (Aurelia aurita) – Uma das mais comuns; não causa queimaduras em humanos.
- Salpas – Apesar da aparência, não são águas-vivas, e sim tunicados (parentes distantes dos vertebrados). Não possuem tentáculos nem células urticantes, sendo totalmente inofensivas.
- Medusa-mármore (Cotylorhiza tuberculata) – De aparência chamativa e grande diâmetro, também não causa queimaduras.
- Água-viva-ovo-frito (Cotylorhiza tuberculata) – Nomeada por sua cor e formato; inofensiva.
- Lychnorhiza lucerna – Espécie vista em Praia Grande; praticamente inofensiva.
Organismos que podem causar queimaduras
Algumas espécies, porém, exigem cuidado redobrado:
- Olindias sambaquiensis – Mede até 10 cm e provoca intoxicações moderadas. É comum no verão e pode causar marcas vermelhas doloridas na pele, embora complicações graves sejam raras. Possui tentáculos finos alaranjados ou lilases e gônadas alaranjadas em forma de “X”.
- Physalia physalis (caravela-portuguesa) – Possui um flutuador azul-arroxeado de cerca de 20 cm e tentáculos que podem ultrapassar 30 metros. As queimaduras são intensas e podem ser perigosas.
- Chrysaora lactea – Mede até 20 cm e causa intoxicações leves a moderadas. É mais comum entre Santa Catarina e o Uruguai e apresenta coloração variada, podendo ser rosada, leitosa ou arroxeada.
O que fazer em caso de queimadura?
Especialistas recomendam alguns cuidados simples ao sofrer queimaduras causadas por águas-vivas:
Lave a área com água do mar — nunca com água doce, pois ela estimula a liberação do veneno.
Aplique compressas frias com água salgada, que ajudam a aliviar a dor.
Use vinagre para neutralizar o veneno e reduzir o envenenamento.
Evite exposição ao sol, pois o calor pode agravar o ferimento.
Não esfregue a pele com toalhas ou as mãos.
Se os sintomas persistirem ou houver reação alérgica, procure socorro médico.
Respeito e conscientização
O episódio em Praia Grande serviu como alerta e exemplo: pequenos gestos de respeito à vida marinha fazem a diferença. Recolocar um animal no mar, não capturar espécies e evitar o lixo nas praias são atitudes simples que ajudam a preservar o equilíbrio dos ecossistemas costeiros.
