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Banco de Alimentos gera renda em Itanhaém

Programa atende até 5 mil famílias ao mês na cidade

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15 MAI 2019Por Nayara Martins08h20
Banco de alimentos incentiva pequenos produtores e atende inúmeras famílias de baixa renda com alimentos sem conservantesFoto: Rodrigo Montaldi/Arquivo DL

Incentivar a participação de pequenos produtores na economia solidária, contribuir para a segurança alimentar e oferecer um produto saudável aos consumidores. Assim funciona o Banco de Alimentos "José Francisco de Oliva Júnior", localizado no Centro de Itanhaém. Atualmente, o Banco atende de 3.500 a 5 mil famílias ao mês, em situação de insegurança alimentar.

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Eliseu Braga Chagas, o banco "é um grande trabalho que ultrapassa as fronteiras do município e é uma referência para outras cidades". Ele acrescenta que recentemente a cidade recebeu um convite para participar da Feira Internacional de Tecnologia Agrícola, a Agrishow, em Ribeirão Preto, uma das mais importantes feiras de tecnologia agrícola da América Latina".

Outro destaque é que seis mulheres agricultoras de Itanhaém foram convidadas a abrir o estande da agricultura familiar na Agrishow, no início deste mês. Na opinião da gestora do Banco de Alimentos, Luciana Mello, foi um reconhecimento importante para as produtoras da cidade, já que é um mercado liderado na sua maioria por homens.

Luciana Mello explicou que o trabalho existe em Itanhaém desde 2007, por meio de um convênio com o Ministério da Cidadania e a prefeitura do município. "O Banco de Alimentos é uma referência porque ultrapassou os seus limites conceituais, o de combater o desperdício e a fome", frisou.

Por meio do projeto PAA - Programa de Aquisição da Agricultura Familiar se faz a aquisição dos alimentos dos pequenos produtores locais para a doação às famílias em situação de insegurança alimentar. E ainda do PNAE - Programa Nacional de Alimentação Escolar, um trabalho integrado do Banco com a secretaria municipal da Educação.

Outro projeto do Banco é o "Capilaridade", ou seja, algumas secretarias municipais como a Saúde, a Educação e a Assistência Social contribuem com o Banco de Alimentos e indicam onde há a insegurança alimentar no município. O trabalho também ocorre em parceria com dez entidades assistenciais da cidade.

O Banco recebe 75 toneladas de alimentos por ano, com zero desperdício. A arrecadação vem da colheita urbana com alguns empresários parceiros que fazem a doação de alimentos e ainda coma compra dos pequenos agricultores do município. É feita uma triagem de todos os alimentos e o que não serve para alimentar as pessoas é aproveitado pelos criadores de animais.

Uma das conquistas mais importantes foi o Selo de Identificação da Participação da Agricultura Familiar (Sipaf), em abril de 2018, quando 15 agricultoras foram as primeiras mulheres a receberem o selo no Brasil - "Aqui tem mulher rural".

Luciana lembrou que, em 2017, conseguiu garantir o primeiro selo da Agricultura Familiar para 17 produtores agrícolas da Feira do Produtor. Já em 2018, uma técnica da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Seade), do governo federal, visitou Itanhém e conheceu a força das mulheres agricultoras.

Outro projeto de destaque é o de inclusão do milho guarani na alimentação escolar, desenvolvido em parceria com a Funai, que acontece em duas aldeias: a Rio Branco (Itanhaém) e a do Aguapehú (Mongaguá).

Feira do produtor

Já a Feira de Agricultura Familiar ou Feira do Produtor, que funciona desde 2011, reúne 23 produtores rurais que comercializamos seus produtos diretamente aos consumidores. São diversos produtos comercializados na feira, como banana, mandioca, palmito, frutas, geleias, farinhas, pães, massas caseiras, entre outros, em um modelo de economia solidária. O Banco de Alimentos fornece o apoio logístico e técnico.

A agricultora Ana Lúcia dos Santos Silva, que participa da feira, trabalha junto com os três filhos e plantam banana, bata doce e mandioca, no sítio. "Tudo o que tenho hoje veio da agricultura e graças ao Banco de Alimentos, pois antes havia muitos atravessadores. O selo agregou mais valor aos nossos produtos".

Outra produtora Patrícia Ricomini explica que o forte de sua produção é a banana. "A partir da banana descobri que podemos aproveitar tudo. Produzo ainda a farinha da banana verde, abanana passa, geleia, doces em calda e, agora, o antepasto de coração da bananeira". Ela também elogiou a conquista do selo.

Marcos Gonçalves, produtor rural orgânico, afirmou"a participação da Agrishow foi uma oportunidade única, abriu as portas, além de contatos feitos com outros produtores do País". Marcos também expõe seus produtos feitos com alimentos orgânicos por sua mãe, na feira do produtor, como o macarrão de farinha da banana verde, de beterraba e de espinafre,entre outros.

Os produtos comercializados na Feira, hoje, já possuem a rotulagem de informação nutricional e a data de validade. Funciona no estacionamento da prefeitura de Itanhaém, aos sábados, das 8 às 16 horas, na rua Cunha Moreira, Centro.

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