Duas horas de fila em média. Esse foi o tempo de espera para quem ontem, entre 7 e 10 horas, utilizou o sistema de travessia de balsas entre Guarujá e Santos. Do lado de Guarujá, uma enorme fila de carros se formou na Avenida Adhemar de Barros, entre o Viaduto Floriberto Mariano e as cabines da Dersa – Desenvolvimento Rodoviário S/A, irritando usuários, que não paravam de buzinar pelo desconforto. Tinha fila até de motociclistas. A espera na travessia preferencial era de 1h30. Do lado de Santos, a fila chegava nas imediações do Clube Internacional de Regatas.
O motivo não era diferente das dezenas de outras paralisações que já se tornaram rotina aos cidadãos da Baixada Santista: balsas quebradas. Das oito que operam o sistema, só duas estavam funcionando. “A gente é que sofre, pois os motoristas nos xingam, como se nós fossemos os culpados. Somos somente funcionários da Dersa tentando agilizar a travessia”, disse uma funcionária completamente constrangida.
A auxiliar financeira Daniela de Almeida Oliveira estava com uma consulta marcada para as 9 horas. “Eu cheguei na fila às 7h15. São 9h37 e estou na balsa só agora. Eu liguei para a Dersa e me disseram que tem quatro balsas, mas a funcionária me disse que somente duas de carros estão operando. Perdi o dia”, disse.
O serralheiro Anderson de Araújo revela que as filas são constantes e isso vem prejudicando seu trabalho em Santos. “É uma safadeza. Entra muito dinheiro (R$ 11,50 por veículo) e o serviço é péssimo. O brasileiro tem que dar o troco nas urnas, não votar mais nesse governador (Geraldo Alckmin – PSDB), que só promete. Mostraram uma maquete de ponte e até hoje não temos o túnel”, lembrou.
Sérgio Silva dos Santos salientou o desrespeito. “Todo mundo tem compromisso e paga uma fortuna para atravessar. A fila está no viaduto”, disse, acompanhado do motociclista Ronaldo Sena. “É uma vergonha. Fica nítido que o sistema não funciona. Ninguém muda nada. Precisamos quebrar monopólios”, disparou.
Dersa
Por telefone, a assessoria da Dersa garantiu que quatro balsas estavam operando. As demais, duas pararam por conta da subida da maré e da forte correnteza, que prejudicaram as manobras, e duas estavam fora da operação por conta de manutenção que, em pelo menos uma, perdurará por 15 dias.
Vereadores cobram alternativas dos prefeitos de Guarujá e Santos
Parlamentares de Guarujá e Santos se revezam em busca de uma solução para as travessias.
Em Guarujá, o vereador Edilson Dias (PT) apresentou uma indicação, no último dia 6, solicitando que Maria Antonieta determine, em caráter de urgência, estudos dos governos municipal e estadual no sentido de viabilizar a construção de um atracadouro em Vicente de Carvalho para a travessia de veículos, visando desafogar a travessia atual, com a aquisição de mais embarcações.
O parlamentar revela que as paralisações obrigam o trabalhador ou turista percorrer 45 quilômetros de estrada para chegar ao município vizinho. Com túnel, a distância é de 900 metros.
Ele não se conforma com as declarações do presidente da Dersa que, mesmo apontando um faturamento anual de R$ 42 milhões, revela que a travessia está saturada porque não cabem mais atracadouros, limitando o número de balsas. “Esperas superiores a duas horas são rotina. Não podemos mais conviver com isso”.
Ontem, o parlamentar santista, Antônio Carlos Banha Joaquim (PMDB), assim que soube do problema, disse que iria apresentar um requerimento, nos moldes de Edilson Dias. “Eu já manifestei indignação várias vezes durante meus mandatos por intermédio de trabalhos legislativos. As cidades precisam se unir e cobrar, de forma mais contundente, providências do governo do Estado”, afirma Banha.
O presidente da União dos Vereadores da Baixada Santista (Uvebs), Douglas Gonçalves (DEM), afirma que o problema não é novo, que o sistema é obsoleto e que está preocupado com a temporada que começa nos próximos dias. “Estou decepcionado com as lideranças políticas da região de âmbito estadual que poderiam dar uma resposta mais eficaz à população. No entanto, os problemas metropolitanos se perpetuam. Estamos agendando uma reunião com o chefe da Casa Civil de São Paulo, Samuel Moreira, para discutir as travessias”, revelou, finalizando que o Governo do Estado tem que respeitar a Baixada e os vereadores da Uvebs vão cobrar.
