Baixada trabalha para erradicar analfabetismo

Desempregada e mãe de dois filhos, Dinorá ensina aos filhos a lição que aprendeu na escola da vida

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24 FEV 201319h08

“Estou feliz por voltar a estudar. Tive que trabalhar desde os 9 anos quando minha mãe morreu e só estudei até a 2ª série. Só sei escrever o meu nome”, afirmou Dinorá de Fátima Paganini, de 32 anos, com lágrimas nos olhos. Desempregada e mãe de dois filhos, Dinorá ensina aos filhos a lição que aprendeu na escola da vida. “Eu ensino eles a darem valor aos estudos para serem alguém na vida. Eles tem a oportunidade que eu não tive. Eu não pude estudar”.

Dinorá é viúva e faz bico de faxineira. A mulher que retornou aos estudos tem um sonho. “Eu quero ser advogada e se Deus me der força eu vou conseguir”, disse emocionada e decidida.

A dona de casa, Maria de Lourdes Chagas dos Santos, de 60 anos, aprendeu a ler e a escrever no curso do Programa Brasil Alfabetizado ministrado em parceria com a Prefeitura de Guarujá. Ela está feliz por se sentir mais independente agora que consegue até fazer compras sozinha no supermercado, mas tem receio de freqüentar o curso de Educação de Jovens e Adultos (EJA). “Eu tenho vergonha. Eu estou aprendendo ainda a ler e a escrever e acho que as pessoas tirariam sarro da minha cara”, afirmou Lourdes.

Essas duas mulheres fazem parte de uma faixa da população que tende a diminuir na Baixada Santista. Ao menos esse é o objetivo das prefeituras que trabalham na erradicação do analfabetismo e do analfabetismo funcional (pessoas que não completaram o primário).

Na Baixada, a maioria das pessoas que não são alfabetizadas é de origem nordestina e vive na periferia. Contudo enquanto a Baixada Santista apresenta avanços na redução do analfabetismo, no Brasil a queda de 29,1% na taxa de analfabetismo no período de 1996 a 2006 coloca o país em penúltimo lugar no ranking de alfabetização na América Latina.

De acordo com dados do IBGE, o percentual de brasileiros que não sabem ler e escrever é inferior apenas ao da Bolívia, onde a taxa de analfabetismo foi de 11,7%, em 2005. Em relação a todos os países latino-americanos e caribenhos, o Brasil também vai mal no quesito: tem o 9º pior índice do grupo.

São Vicente

Censo do IBGE de 2005 revela que São Vicente é a cidade da Região Metropolitana com o maior índice de alfabetizados: 98,1% dos cerca de 320 mil habitantes. O Núcleo de alfabetização do Município tem 15 classes de 343 alunos e 24 classes de Educação de Jovens e Adultos (EJA), com aproximadamente 600 alunos matriculados nas escolas de São Vicente. Já no Centro de Educação Supletiva da Área Insular (Cesin) existe um acervo de mais de 50 livros em braile.

Santos

Na cidade mais desenvolvida economicamente da Baixada, 96,44% dos 420 mil habitantes são alfabetizados. Em junho passado,  Santos recebeu o Selo Município Livre do Analfabetismo, concedido pelo Governo Federal. Em Santos, além do EJA, a Prefeitura realiza o projeto ‘Parceiros do Saber’. Na oportunidade, o prefeito João Paulo Tavares Papa afirmou que em “dois anos e meio já conseguimos diminuir o analfabetismo 0,5% e vamos continuar trabalhando até zerar este índice”.