Baixada Santista se mobiliza para ajudar os desabrigados

A quadra da União Imperial foi um dos primeiros locais a abrir as portas para receber os desabrigados

Eram quase 23h de segunda-feira (2) quando o telefone de Luiz Alberto Martins, o Pelé, tocou. Do outro lado da linha o presidente da Sociedade de Melhoramentos do Bairro do Marapé, em Santos, pedia ao colega um favor urgente: a abertura dos portões da quadra da Escola de Samba União Imperial para abrigar pessoas em situação de risco no Morro do Marapé.

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Pelé, presidente da escola, não pensou duas vezes. Foi para o galpão ajeitar tudo para receber os vizinhos desabrigados pelas fortes chuvas que atingiram a Baixada Santista e, segundo as previsões meteorológicas, só devem diminuir na quinta-feira (5).

O barracão foi casa de pelo menos quatro famílias e seus bichos de estimação durante a madrugada de segunda para terça-feira (3). “Não seria justo não autorizar a permanência dos cachorros do pessoal”, explica Pelé. Todos desceram o morro ao perceberem água barrenta em queda livre pelas ladeiras e pedras rolando nas encostas.

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Ontem, quando amanheceu, as pessoas voltaram para suas residências para pegarem documentos e roupas, mas retornaram à quadra pois, de acordo com a Defesa Civil, seus lares não estão seguros ainda.

“Agora é esperar o tempo melhorar pra ver se nossa casa vai estar inteira e sem risco de cair”, conta Franciele Oliveira, de 35 anos, mãe de quatro filhos. Todos vão continuar abrigados no barracão até que a situação melhore. Se a casa onde mora por dois anos for condenada, ela diz não saber o que fazer.

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“Minha mãe mora no Canal 1, mas não aceita meus animais de estimação e eu não vou abandonar eles”, e mostra seu gatinho e um filhote de cachorro. Os filhos de Franciele são pequenos e já perderam muita coisa, é compreensível que não queiram perder também os amigos de quatro patas.

Nayara Roberto dos Santos, 22 anos, é outra moradora do Morro do Marapé que precisou deixar a casa para trás. No fim da tarde de ontem, foi convencida a passar um tempo na quadra até que seja seguro voltar. Desceu com suas três filhas sem saber quando a rotina vai voltar ao normal. “É difícil abandonar tudo. Eu não queria sair, só fiz isso quando uma parte de terra deslizou bem do lado do quintal”, explica. 

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Até o início da noite de terça-feira, a quadra já abrigava 17 pessoas, mas tem capacidade para receber cerca de 50. “A previsão é que nas próximas horas muita gente venha pra cá. Temos cozinha, banheiros, colchão, chuveiro quente. Estamos preparados para ajudar e elas podem ficar aqui o tempo que for necessário”, disse Pelé.

Doações

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O local também está recebendo doações. De acordo com Andrea Carneiro, vice-presidente da União Imperial, roupas e sapatos já são suficientes. Faltam roupas de cama, colchões, produtos de higiene, fraldas descartáveis do P ao G, leite e achocolatado.

Quem quiser doar, pode levar os materiais na quadra, que fica na Rua São Judas Tadeu, 20/26.

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Além de Santos, São Vicente e Guarujá foram bastante impactadas pelo temporal.

No site das prefeituras é possível encontrar a relação de todos os locais que estão recebendo doações e como ajudar.

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Até o fechamento desta reportagem ainda não havia o número total de desabrigados na região, mas só em Guarujá, ao menos 200 pessoas estavam nesta situação. Em Mongaguá, 68 e em Peruíbe, 65.

As chuvas deixaram 17 mortes e 33 desaparecidos.

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Outros abrigos

Em nota, a Prefeitura de Santos informou que mantém seis abrigos.

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A Reportagem do Diário visitou um dos locais, mas foi informada que as famílias ainda não estavam porque passavam por um processo de triagem. (Vanessa Pimentel)